Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao
comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias.
Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Palavra de Vida - Agosto
«Eis que venho para fazer a Tua vontade» [Heb 10, 9]. (1)
É um versículo do Salmo 40, que o autor da Carta aos Hebreus põe na boca do Filho de Deus, em diálogo com o Pai. S. Paulo quer sublinhar, deste modo, o amor com que o Filho de Deus se fez homem, para cumprir a obra da Redenção, por obediência à vontade do Pai.
Estas palavras fazem parte de um contexto em que o autor quer demonstrar a infinita superioridade do sacrifício de Jesus, em relação aos sacrifícios da Lei antiga. Ao contrário destes últimos – em que as vítimas que se ofereciam a Deus eram animais ou, em todo o caso, coisas extrínsecas aos homens –, Jesus, impulsionado por um amor imenso, durante a sua vida na Terra, ofereceu ao Pai a sua própria vontade, todo o seu ser.
«Eis que venho para fazer a Tua vontade».
Esta Palavra dá-nos a chave de leitura da vida de Jesus, ajudando-nos a perceber o aspecto mais profundo e o fio de ouro que liga todas as etapas da sua existência terrena: a sua infância, a sua vida privada, as tentações, as opções que fez, a sua actividade pública, e até a morte na cruz. A cada instante, em todas as situações, Jesus procurou uma única coisa: cumprir a vontade do Pai. E cumpriu-a de uma forma radical, não fazendo nada fora dela e rejeitando até as propostas mais aliciantes que não estivessem em plena sintonia com essa vontade.
«Eis que venho para fazer a Tua vontade».
É uma frase que nos faz compreender a grande lição que toda a vida de Jesus tinha em vista. Ou seja, que a coisa mais importante é cumprir não a nossa, mas a vontade do Pai. Temos que ser capazes de dizer «não» a nós mesmos, para dizermos «sim» a Deus.
O verdadeiro amor a Deus não consiste em lindas palavras, ou ideias ou sentimentos, mas na obediência efectiva aos seus mandamentos.
O sacrifício de louvor que Ele deseja que lhe façamos é oferecer-Lhe, com todo o nosso amor, aquilo que temos de mais íntimo, aquilo que mais nos pertence: a nossa vontade.
«Eis que venho para fazer a Tua vontade».
Como viver, então, a Palavra de Vida deste mês? É daquelas palavras que melhor põem em evidência o aspecto de contra a corrente do Evangelho, na medida em que combate a tendência que mais está enraizada em nós: satisfazer a nossa vontade, seguir os nossos instintos e sentimentos.
E é, também, uma das frases mais incómodas para o homem moderno. Vivemos na época da exaltação do eu, da autonomia da pessoa, da liberdade como fim em si mesma, da auto-satisfação para a realização do indivíduo, do prazer visto como critério para as próprias opções e como segredo para a felicidade... Mas já conhecemos as consequências desastrosas desta cultura.
Pois bem, a essa cultura baseada na satisfação da própria vontade opõe-se a cultura de Jesus, completamente orientada para o cumprimento da vontade de Deus, com os efeitos maravilhosos que Ele nos garante.
Então vamos procurar viver a Palavra deste mês preferindo também nós a vontade do Pai. Isto significa fazer dela a norma e a orientação de toda a nossa vida, tal como fez Jesus.
Deste modo, lançamo-nos numa divina aventura, que nos vai encher de gratidão a Deus. Através da vontade de Deus, santificamo-nos e podemos difundir o amor de Deus em muitos corações.
É um versículo do Salmo 40, que o autor da Carta aos Hebreus põe na boca do Filho de Deus, em diálogo com o Pai. S. Paulo quer sublinhar, deste modo, o amor com que o Filho de Deus se fez homem, para cumprir a obra da Redenção, por obediência à vontade do Pai.
Estas palavras fazem parte de um contexto em que o autor quer demonstrar a infinita superioridade do sacrifício de Jesus, em relação aos sacrifícios da Lei antiga. Ao contrário destes últimos – em que as vítimas que se ofereciam a Deus eram animais ou, em todo o caso, coisas extrínsecas aos homens –, Jesus, impulsionado por um amor imenso, durante a sua vida na Terra, ofereceu ao Pai a sua própria vontade, todo o seu ser.
«Eis que venho para fazer a Tua vontade».
Esta Palavra dá-nos a chave de leitura da vida de Jesus, ajudando-nos a perceber o aspecto mais profundo e o fio de ouro que liga todas as etapas da sua existência terrena: a sua infância, a sua vida privada, as tentações, as opções que fez, a sua actividade pública, e até a morte na cruz. A cada instante, em todas as situações, Jesus procurou uma única coisa: cumprir a vontade do Pai. E cumpriu-a de uma forma radical, não fazendo nada fora dela e rejeitando até as propostas mais aliciantes que não estivessem em plena sintonia com essa vontade.
«Eis que venho para fazer a Tua vontade».
É uma frase que nos faz compreender a grande lição que toda a vida de Jesus tinha em vista. Ou seja, que a coisa mais importante é cumprir não a nossa, mas a vontade do Pai. Temos que ser capazes de dizer «não» a nós mesmos, para dizermos «sim» a Deus.
O verdadeiro amor a Deus não consiste em lindas palavras, ou ideias ou sentimentos, mas na obediência efectiva aos seus mandamentos.
O sacrifício de louvor que Ele deseja que lhe façamos é oferecer-Lhe, com todo o nosso amor, aquilo que temos de mais íntimo, aquilo que mais nos pertence: a nossa vontade.
«Eis que venho para fazer a Tua vontade».
Como viver, então, a Palavra de Vida deste mês? É daquelas palavras que melhor põem em evidência o aspecto de contra a corrente do Evangelho, na medida em que combate a tendência que mais está enraizada em nós: satisfazer a nossa vontade, seguir os nossos instintos e sentimentos.
E é, também, uma das frases mais incómodas para o homem moderno. Vivemos na época da exaltação do eu, da autonomia da pessoa, da liberdade como fim em si mesma, da auto-satisfação para a realização do indivíduo, do prazer visto como critério para as próprias opções e como segredo para a felicidade... Mas já conhecemos as consequências desastrosas desta cultura.
Pois bem, a essa cultura baseada na satisfação da própria vontade opõe-se a cultura de Jesus, completamente orientada para o cumprimento da vontade de Deus, com os efeitos maravilhosos que Ele nos garante.
Então vamos procurar viver a Palavra deste mês preferindo também nós a vontade do Pai. Isto significa fazer dela a norma e a orientação de toda a nossa vida, tal como fez Jesus.
Deste modo, lançamo-nos numa divina aventura, que nos vai encher de gratidão a Deus. Através da vontade de Deus, santificamo-nos e podemos difundir o amor de Deus em muitos corações.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Dezembro de 1991, publicada em Città Nuova, 1991/22, pp. 34-35.
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
Palavra de Vida - Julho - com fotografias

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Palavra de Vida - Julho
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca» [Mt 26, 41]. (1)
Jesus – durante a sua agonia no Monte das Oliveiras – dirigiu estas palavras a Pedro, Tiago e João, ao vê-los vencidos pelo sono. Ele levara-os consigo – eram os três apóstolos que tinham presenciado a sua transfiguração no monte Tabor – para que estivessem a seu lado naquele momento tão difícil e se preparassem com Ele através da oração. Na verdade, aquilo que estava prestes a acontecer, iria ser uma provação terrível também para eles.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
Estas palavras – lidas à luz das circunstâncias em que foram pronunciadas –, mais do que uma recomendação feita por Jesus aos discípulos, devem ser vistas como um reflexo do seu estado de alma, ou seja, de como Ele se preparava para a provação. Perante a paixão iminente, Ele reza com todas as forças do seu espírito. Luta contra o medo e contra o horror da morte. Lança-se no amor do Pai para ser fiel, até ao fim, à Sua vontade, e ajuda os seus apóstolos a fazerem o mesmo.
Jesus, aqui, é o modelo de como se deve enfrentar uma provação. Mas, ao mesmo tempo, é como o irmão, que se põe ao nosso lado nesse momento difícil.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
A chamada de atenção para a vigilância é muito frequente nas palavras de Jesus. Para Ele, vigiar significa: nunca se deixar vencer pelo sono espiritual; manter-se sempre pronto para ir ao encontro da vontade de Deus; saber reconhecer os sinais que a exprimem na vida de todos os dias; e, sobretudo, saber enfrentar as dificuldades e os sofrimentos à luz do amor de Deus.
E a vigilância é inseparável da oração, porque esta é indispensável para vencer os momentos difíceis. A fragilidade da natureza humana (“a fraqueza da carne”) só pode ser ultrapassada com a força que vem do Espírito.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
Como viver, então, a Palavra de Vida deste mês?
Também nós temos que nos preparar para os momentos difíceis: as pequenas ou grandes dificuldades que encontramos todos os dias. Dificuldades normais ou provas clássicas, que os cristãos vão encontrar com toda a certeza, mais dia, menos dia. Ora, a primeira condição para se vencer uma prova – seja ela qual for – é a vigilância, diz-nos Jesus. Trata-se de saber discernir e perceber que são dificuldades permitidas por Deus, não para nos desencorajar, mas para que, ao vencê-las, amadureçamos espiritualmente.
E, ao mesmo tempo, devemos rezar. É necessária a oração, pois são duas as tentações em que mais facilmente podemos cair nesses momentos: por um lado, termos a presunção de ser capazes de vencer a prova sozinhos; por outro lado, termos o sentimento oposto, isto é, ficarmos com medo de sucumbir, como se aquela dificuldade fosse superior às nossas forças. Jesus, pelo contrário, garante-nos que o Pai do Céu nunca permitirá que nos falte a força do Espírito Santo, se vigiarmos e se lho pedirmos com fé.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Abril de 1990, publicada em Città Nuova, 1990/6, p. 9.
Jesus – durante a sua agonia no Monte das Oliveiras – dirigiu estas palavras a Pedro, Tiago e João, ao vê-los vencidos pelo sono. Ele levara-os consigo – eram os três apóstolos que tinham presenciado a sua transfiguração no monte Tabor – para que estivessem a seu lado naquele momento tão difícil e se preparassem com Ele através da oração. Na verdade, aquilo que estava prestes a acontecer, iria ser uma provação terrível também para eles.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
Estas palavras – lidas à luz das circunstâncias em que foram pronunciadas –, mais do que uma recomendação feita por Jesus aos discípulos, devem ser vistas como um reflexo do seu estado de alma, ou seja, de como Ele se preparava para a provação. Perante a paixão iminente, Ele reza com todas as forças do seu espírito. Luta contra o medo e contra o horror da morte. Lança-se no amor do Pai para ser fiel, até ao fim, à Sua vontade, e ajuda os seus apóstolos a fazerem o mesmo.
Jesus, aqui, é o modelo de como se deve enfrentar uma provação. Mas, ao mesmo tempo, é como o irmão, que se põe ao nosso lado nesse momento difícil.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
A chamada de atenção para a vigilância é muito frequente nas palavras de Jesus. Para Ele, vigiar significa: nunca se deixar vencer pelo sono espiritual; manter-se sempre pronto para ir ao encontro da vontade de Deus; saber reconhecer os sinais que a exprimem na vida de todos os dias; e, sobretudo, saber enfrentar as dificuldades e os sofrimentos à luz do amor de Deus.
E a vigilância é inseparável da oração, porque esta é indispensável para vencer os momentos difíceis. A fragilidade da natureza humana (“a fraqueza da carne”) só pode ser ultrapassada com a força que vem do Espírito.
«Vigiai e orai para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
Como viver, então, a Palavra de Vida deste mês?
Também nós temos que nos preparar para os momentos difíceis: as pequenas ou grandes dificuldades que encontramos todos os dias. Dificuldades normais ou provas clássicas, que os cristãos vão encontrar com toda a certeza, mais dia, menos dia. Ora, a primeira condição para se vencer uma prova – seja ela qual for – é a vigilância, diz-nos Jesus. Trata-se de saber discernir e perceber que são dificuldades permitidas por Deus, não para nos desencorajar, mas para que, ao vencê-las, amadureçamos espiritualmente.
E, ao mesmo tempo, devemos rezar. É necessária a oração, pois são duas as tentações em que mais facilmente podemos cair nesses momentos: por um lado, termos a presunção de ser capazes de vencer a prova sozinhos; por outro lado, termos o sentimento oposto, isto é, ficarmos com medo de sucumbir, como se aquela dificuldade fosse superior às nossas forças. Jesus, pelo contrário, garante-nos que o Pai do Céu nunca permitirá que nos falte a força do Espírito Santo, se vigiarmos e se lho pedirmos com fé.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Abril de 1990, publicada em Città Nuova, 1990/6, p. 9.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Palavra de Vida - Junho
«Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai-vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito» [Rm 12, 2].(1)
Esta frase encontra-se na segunda parte da Carta de S. Paulo aos Romanos. Aqui, o Apóstolo descreve o procedimento cristão como expressão da nova vida, do verdadeiro amor, da verdadeira alegria e da verdadeira liberdade que Cristo nos deu. É a vida cristã como um novo modo de enfrentar, com a luz e a força do Espírito Santo, as várias tarefas e problemas que podemos vir a encontrar.
Neste versículo, estreitamente ligado ao anterior, o apóstolo define a finalidade e a atitude de base que deveriam caracterizar sempre o nosso comportamento: fazer da nossa vida um hino de louvor a Deus, um acto de amor prolongado no tempo, na busca constante da Sua vontade, daquilo que Lhe é mais agradável.
«Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai--vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito».
É evidente que, para cumprir a vontade de Deus, é necessário, primeiro, conhecê-la. Mas, como o apóstolo nos faz compreender, isso não é fácil. Não é possível conhecer bem a vontade de Deus sem uma luz especial. Uma luz que nos ajude a discernir, nas várias situações, aquilo que Deus quer de nós, evitando as ilusões e os erros em que facilmente poderíamos cair.
Trata-se daquele dom do Espírito Santo que se chama “discernimento” e que é indispensável para construir em nós uma autêntica mentalidade cristã.
«Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai--vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito».
Mas, como obter e desenvolver em nós esse dom tão importante? Claro que é preciso que tenhamos um bom conhecimento da doutrina cristã. Mas isso não é suficiente. Como nos sugere o apóstolo, é sobretudo uma questão de vida. É uma questão de generosidade, de esforço por viver a Palavra de Jesus, pondo de lado os receios, as incertezas e os cálculos mesquinhos. É uma questão de disponibilidade e de prontidão em cumprir a vontade de Deus. É esta a forma de adquirir a luz do Espírito Santo e construir em nós a nova mentalidade que aqui nos é pedida.
«Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai--vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito».
Como viveremos então a Palavra de Vida deste mês? Procurando merecer, também nós, aquela luz que é necessária para cumprir bem a vontade de Deus.
Vamos procurar então conhecer cada vez melhor a Sua vontade tal como nos é expressa através da Sua Palavra, dos ensinamentos da Igreja, dos deveres do nosso estado, etc.
Mas, sobretudo, procuremos vivê--la, já que, como acabámos de ver, é vivendo no amor que brota em nós a verdadeira luz. Jesus mani-festa-se a quem O ama e põe em prática os seus mandamentos (cf. Jo 14, 21).
Conseguiremos assim cumprir a vontade de Deus e dar-Lhe a melhor prenda que Lhe podemos oferecer. E isto ser-Lhe-á agradável não só pelo amor que poderá exprimir, mas também pela luz e pelos frutos de renovação cristã que suscitará à nossa volta.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Agosto de 1993, publicada em Città Nuova, 1993/14, pp. 34-35.
Esta frase encontra-se na segunda parte da Carta de S. Paulo aos Romanos. Aqui, o Apóstolo descreve o procedimento cristão como expressão da nova vida, do verdadeiro amor, da verdadeira alegria e da verdadeira liberdade que Cristo nos deu. É a vida cristã como um novo modo de enfrentar, com a luz e a força do Espírito Santo, as várias tarefas e problemas que podemos vir a encontrar.
Neste versículo, estreitamente ligado ao anterior, o apóstolo define a finalidade e a atitude de base que deveriam caracterizar sempre o nosso comportamento: fazer da nossa vida um hino de louvor a Deus, um acto de amor prolongado no tempo, na busca constante da Sua vontade, daquilo que Lhe é mais agradável.
«Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai--vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito».
É evidente que, para cumprir a vontade de Deus, é necessário, primeiro, conhecê-la. Mas, como o apóstolo nos faz compreender, isso não é fácil. Não é possível conhecer bem a vontade de Deus sem uma luz especial. Uma luz que nos ajude a discernir, nas várias situações, aquilo que Deus quer de nós, evitando as ilusões e os erros em que facilmente poderíamos cair.
Trata-se daquele dom do Espírito Santo que se chama “discernimento” e que é indispensável para construir em nós uma autêntica mentalidade cristã.
«Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai--vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito».
Mas, como obter e desenvolver em nós esse dom tão importante? Claro que é preciso que tenhamos um bom conhecimento da doutrina cristã. Mas isso não é suficiente. Como nos sugere o apóstolo, é sobretudo uma questão de vida. É uma questão de generosidade, de esforço por viver a Palavra de Jesus, pondo de lado os receios, as incertezas e os cálculos mesquinhos. É uma questão de disponibilidade e de prontidão em cumprir a vontade de Deus. É esta a forma de adquirir a luz do Espírito Santo e construir em nós a nova mentalidade que aqui nos é pedida.
«Não vos acomodeis a este mundo. Pelo contrário, deixai--vos transformar, adquirindo uma nova mentalidade, para poderdes discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom e Lhe é agradável e perfeito».
Como viveremos então a Palavra de Vida deste mês? Procurando merecer, também nós, aquela luz que é necessária para cumprir bem a vontade de Deus.
Vamos procurar então conhecer cada vez melhor a Sua vontade tal como nos é expressa através da Sua Palavra, dos ensinamentos da Igreja, dos deveres do nosso estado, etc.
Mas, sobretudo, procuremos vivê--la, já que, como acabámos de ver, é vivendo no amor que brota em nós a verdadeira luz. Jesus mani-festa-se a quem O ama e põe em prática os seus mandamentos (cf. Jo 14, 21).
Conseguiremos assim cumprir a vontade de Deus e dar-Lhe a melhor prenda que Lhe podemos oferecer. E isto ser-Lhe-á agradável não só pelo amor que poderá exprimir, mas também pela luz e pelos frutos de renovação cristã que suscitará à nossa volta.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Agosto de 1993, publicada em Città Nuova, 1993/14, pp. 34-35.
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domingo, 1 de maio de 2011
Palavra de Vida - Maio - com fotografias
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Palavra de Vida - Maio
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente» [Mt 22, 37].(1)
No tempo de Jesus, havia um tema clássico que as escolas rabínicas debatiam muito: qual seria o primeiro de todos os mandamentos das Escrituras? Jesus, que era considerado um mestre, não se esquivou à pergunta de um fariseu, legista: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Ele respondeu de uma forma original, unindo o amor a Deus com o amor ao próximo. Os seus discípulos nunca poderão separar estes dois amores, assim como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa. Quanto mais eles amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs. Quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus.
Jesus, melhor do que ninguém, sabe quem é realmente o Deus que devemos amar e de que modo deve ser amado: é o seu Pai e nosso Pai, o seu Deus e nosso Deus (cf. Jo 20, 17). É um Deus que ama cada um pessoalmente: a mim, a ti. É o meu Deus, o teu Deus («Amarás ao Senhor, teu Deus»).
E nós podemos amá-Lo porque foi Ele que nos amou primeiro: o amor que nos é ordenado é, portanto, uma resposta ao Amor. Podemos dirigir-nos a Ele com a mesma familiaridade e confiança que Jesus tinha quando Lhe chamava Abbá, Pai. Também nós, do mesmo modo que Jesus, podemos falar muitas vezes com Ele, expondo-Lhe todas as nossas necessidades, propósitos, projectos, declarando-Lhe o nosso amor exclusivo. Também nós queremos esperar ansiosamente que chegue o momento de nos pormos em contacto profundo com Ele, através da oração, que é diálogo, comunhão, intensa relação de amizade. Nesses momentos, podemos dar largas ao nosso amor: adorá-Lo para além da Criação, glorificá-Lo presente em todos os pontos do Universo, louvá-Lo no fundo do nosso coração ou vivo nos tabernáculos. Podemos pensar que Ele está ali onde nós estivermos: no nosso quarto, no trabalho, no escritório, no encontro com os outros...
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente».
Jesus ensina-nos também um outro modo de amar o Senhor Deus. Para Jesus, amar significou cumprir a vontade do Pai, pondo à Sua disposição o pensamento, o coração, as energias, a própria vida: entregou-Se totalmente ao projecto que o Pai tinha estabelecido para Ele. O Evangelho mostra-nos Jesus sempre e totalmente dirigido para o Pai (cf. Jo 1, 18), sempre no Pai, sempre concentrado em dizer
apenas aquilo que tinha ouvido do Pai, a realizar apenas o que o Pai Lhe tinha dito para fazer. E pede-nos o mesmo também a nós: amar significa fazer a vontade do Amado, sem meias medidas, com todo o nosso ser: «com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente». Porque o amor não é apenas um sentimento. «Por que me chamais: “Senhor, Senhor”, e não fazeis o que Eu digo?» (Lc 6, 46), pergunta Jesus àqueles que amam só com palavras.
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente».
Como viver então este mandamento de Jesus? Mantendo, sem dúvida, com Deus, uma relação filial e de amizade, mas, sobretudo, fazendo aquilo que Ele quer. A nossa atitude para com Deus, tal como fez Jesus, é estar sempre projectados no Pai, em constante escuta d’Ele, e em obediência, para realizar unicamente a Sua obra, e nada mais.
Neste mandamento, é-nos pedida a máxima radicalidade, porque a Deus não se pode dar menos do que tudo: todo o coração, toda a alma, toda a mente. E isto significa fazer bem, completamente, aquela acção que Ele nos pede.
Para viver a Sua vontade e identificar-se com ela, será necessário, muitas vezes, “queimar” a nossa vontade, sacrificando tudo aquilo que temos no coração ou no pensamento, que não esteja relacionado com o momento presente. Pode ser uma ideia, um sentimento, um pensamento, um desejo, uma lembrança, uma coisa, uma pessoa... E eis-nos, assim, totalmente projectados naquilo que nos é pedido no momento presente. Falar, telefonar, ouvir, ajudar, estudar, rezar, comer, dormir, viver a Sua vontade sem divagar. Realizar acções completas, honestas, perfeitas, com todo o coração, toda a alma, toda a mente. Ter como único motor, em todas as nossas acções, o amor, de modo a poder dizer, em cada momento do dia: «Sim, meu Deus, neste momento, nesta acção, amei-Te com todo o coração, com todo o meu ser». Só assim poderemos dizer que amamos a Deus, que retribuímos o Seu ser Amor para connosco.
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente».
Para viver esta Palavra de Vida será útil, de tempos a tempos, analisarmo-nos a nós mesmos, para ver se Deus está realmente em primeiro lugar na nossa alma.
E então, para concluir, o que devemos fazer neste mês? Escolher novamente Deus como único ideal, como o tudo da nossa vida, voltando a colocá-Lo no primeiro lugar, vivendo com perfeição a Sua vontade no momento presente. Devemos poder dizer-Lhe com sinceridade: «Meu Deus e meu tudo», «Amo-Te», «Sou todo teu», «És Deus, és o meu Deus, o nosso Deus de amor infinito!».
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Outubro de 2002, publicada em Città Nuova, 2002/18, p. 7.
No tempo de Jesus, havia um tema clássico que as escolas rabínicas debatiam muito: qual seria o primeiro de todos os mandamentos das Escrituras? Jesus, que era considerado um mestre, não se esquivou à pergunta de um fariseu, legista: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Ele respondeu de uma forma original, unindo o amor a Deus com o amor ao próximo. Os seus discípulos nunca poderão separar estes dois amores, assim como, numa árvore, não se podem separar as raízes da sua copa. Quanto mais eles amarem a Deus, mais intensificam o amor aos irmãos e às irmãs. Quanto mais amarem os irmãos e as irmãs, mais aprofundam o amor a Deus.
Jesus, melhor do que ninguém, sabe quem é realmente o Deus que devemos amar e de que modo deve ser amado: é o seu Pai e nosso Pai, o seu Deus e nosso Deus (cf. Jo 20, 17). É um Deus que ama cada um pessoalmente: a mim, a ti. É o meu Deus, o teu Deus («Amarás ao Senhor, teu Deus»).
E nós podemos amá-Lo porque foi Ele que nos amou primeiro: o amor que nos é ordenado é, portanto, uma resposta ao Amor. Podemos dirigir-nos a Ele com a mesma familiaridade e confiança que Jesus tinha quando Lhe chamava Abbá, Pai. Também nós, do mesmo modo que Jesus, podemos falar muitas vezes com Ele, expondo-Lhe todas as nossas necessidades, propósitos, projectos, declarando-Lhe o nosso amor exclusivo. Também nós queremos esperar ansiosamente que chegue o momento de nos pormos em contacto profundo com Ele, através da oração, que é diálogo, comunhão, intensa relação de amizade. Nesses momentos, podemos dar largas ao nosso amor: adorá-Lo para além da Criação, glorificá-Lo presente em todos os pontos do Universo, louvá-Lo no fundo do nosso coração ou vivo nos tabernáculos. Podemos pensar que Ele está ali onde nós estivermos: no nosso quarto, no trabalho, no escritório, no encontro com os outros...
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente».
Jesus ensina-nos também um outro modo de amar o Senhor Deus. Para Jesus, amar significou cumprir a vontade do Pai, pondo à Sua disposição o pensamento, o coração, as energias, a própria vida: entregou-Se totalmente ao projecto que o Pai tinha estabelecido para Ele. O Evangelho mostra-nos Jesus sempre e totalmente dirigido para o Pai (cf. Jo 1, 18), sempre no Pai, sempre concentrado em dizer
apenas aquilo que tinha ouvido do Pai, a realizar apenas o que o Pai Lhe tinha dito para fazer. E pede-nos o mesmo também a nós: amar significa fazer a vontade do Amado, sem meias medidas, com todo o nosso ser: «com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente». Porque o amor não é apenas um sentimento. «Por que me chamais: “Senhor, Senhor”, e não fazeis o que Eu digo?» (Lc 6, 46), pergunta Jesus àqueles que amam só com palavras.
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente».
Como viver então este mandamento de Jesus? Mantendo, sem dúvida, com Deus, uma relação filial e de amizade, mas, sobretudo, fazendo aquilo que Ele quer. A nossa atitude para com Deus, tal como fez Jesus, é estar sempre projectados no Pai, em constante escuta d’Ele, e em obediência, para realizar unicamente a Sua obra, e nada mais.
Neste mandamento, é-nos pedida a máxima radicalidade, porque a Deus não se pode dar menos do que tudo: todo o coração, toda a alma, toda a mente. E isto significa fazer bem, completamente, aquela acção que Ele nos pede.
Para viver a Sua vontade e identificar-se com ela, será necessário, muitas vezes, “queimar” a nossa vontade, sacrificando tudo aquilo que temos no coração ou no pensamento, que não esteja relacionado com o momento presente. Pode ser uma ideia, um sentimento, um pensamento, um desejo, uma lembrança, uma coisa, uma pessoa... E eis-nos, assim, totalmente projectados naquilo que nos é pedido no momento presente. Falar, telefonar, ouvir, ajudar, estudar, rezar, comer, dormir, viver a Sua vontade sem divagar. Realizar acções completas, honestas, perfeitas, com todo o coração, toda a alma, toda a mente. Ter como único motor, em todas as nossas acções, o amor, de modo a poder dizer, em cada momento do dia: «Sim, meu Deus, neste momento, nesta acção, amei-Te com todo o coração, com todo o meu ser». Só assim poderemos dizer que amamos a Deus, que retribuímos o Seu ser Amor para connosco.
«Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente».
Para viver esta Palavra de Vida será útil, de tempos a tempos, analisarmo-nos a nós mesmos, para ver se Deus está realmente em primeiro lugar na nossa alma.
E então, para concluir, o que devemos fazer neste mês? Escolher novamente Deus como único ideal, como o tudo da nossa vida, voltando a colocá-Lo no primeiro lugar, vivendo com perfeição a Sua vontade no momento presente. Devemos poder dizer-Lhe com sinceridade: «Meu Deus e meu tudo», «Amo-Te», «Sou todo teu», «És Deus, és o meu Deus, o nosso Deus de amor infinito!».
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Outubro de 2002, publicada em Città Nuova, 2002/18, p. 7.
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