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quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Palavra de Vida - outubro - com desenhos
Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos.
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Palavra de Vida - outubro
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede» (Jo 6, 35).
Neste
trecho do Evangelho, São João conta que Jesus, depois de ter
multiplicado os pães – durante o grande discurso feito em Cafarnaum –,
diz: «Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que
perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará» (Jo 6, 27).
Para
os seus ouvintes, é uma referência muito evidente ao maná do deserto,
assim como à expectativa do “segundo” maná que irá descer do céu no
tempo messiânico.
Como
a multidão não compreende bem, pouco depois, no mesmo discurso, Jesus
apresenta-se como sendo Ele mesmo o verdadeiro pão descido do céu, que
deve ser aceite mediante a fé:
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede».
Jesus
vê-se já como pão. É exatamente esse o motivo último da sua vida aqui
na Terra. Ser pão para ser comido. E ser pão para nos comunicar a sua
vida, para nos transformar n’Ele. Até aqui o significado espiritual
desta palavra, com as suas referências ao Antigo Testamento, é claro.
Mas o discurso torna-se misterioso e difícil quando, mais adiante, Jesus
diz de si mesmo: «O pão que Eu hei de dar é a minha carne, pela vida do
mundo» (Jo 6, 51b) e «se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós» (Jo 6, 53).
É
o anúncio da Eucaristia, que escandaliza e afasta muitos discípulos.
Mas é a maior dádiva que Jesus quer oferecer à humanidade: a sua
presença no sacramento da Eucaristia, que sacia a alma e o corpo, que dá
a plenitude da alegria, pela íntima união com Jesus.
Uma
vez nutridos com este pão, já não há razão para existir qualquer outra
fome. Todo o nosso desejo de amor e de verdade é saciado por Aquele que é
o próprio Amor, a própria Verdade.
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede».
Portanto,
este pão nutre-nos de Jesus já nesta Terra. Mas é-nos dado para que,
cada um de nós possa, por sua vez, saciar a fome espiritual e material
da humanidade que nos circunda.
O
mundo recebe o anúncio de Cristo não tanto através da Eucaristia,
quanto através da vida dos cristãos nutridos por ela e pela Palavra.
Eles, pregando o Evangelho com a vida e com a voz, tornam presente
Cristo no meio das pessoas.
A
vida da comunidade cristã, graças à Eucaristia, torna-se a vida de
Jesus. Uma vida, portanto, capaz de dar o amor e a vida de Deus aos
outros.
«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede».
Com a metáfora do pão, Jesus ensina-nos também a forma mais autêntica, mais “cristã” de amar o nosso próximo.
De facto, o que significa amar?
Amar
significa “fazer-se um” com todos, fazer-se um em tudo aquilo que os
outros desejam: nas coisas mais pequenas e insignificantes e naquelas a
que talvez nós não dêmos importância, mas que interessam aos outros.
E
Jesus exemplificou de forma estupenda este modo de amar tornando-se pão
para nós. Ele faz-se pão para entrar em todos, para se tornar
comestível, para se fazer um com todos, para servir, para amar todos.
Então, façamo-nos um também nós até ao ponto de sermos alimento para os outros.
O amor é isto: fazer-se um de modo que os outros se sintam nutridos com o nosso amor, confortados, aliviados, compreendidos.
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova 2000/14, p. 7.
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sábado, 1 de março de 2014
Palavra de Vida - março - adolescentes
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Palavra de Vida - março
«Se
guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como
Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no
seu amor» (Jo 15, 10).
Estas palavras fazem parte do extenso discurso, incluído no quarto Evangelho (cf. Jo
13, 31-17, 26), que Jesus dirigiu aos seus apóstolos depois da última
ceia. Vem em evidência que a observância dos seus mandamentos nos faz
permanecer no amor. É uma frase que se liga a um versículo anterior, em
que Jesus diz aos seus apóstolos: ‹‹Se me amardes, guardareis os meus
mandamentos» (Jo l4, 15), de onde se conclui que o amor a Jesus
deve ser a motivação, a raiz de onde deve partir a observância dos seus
mandamentos.
Por
isso, existe uma interdependência entre o amor a Jesus e a observância
dos seus mandamentos. O amor a Jesus leva-nos a viver cada vez mais
fielmente a sua palavra. E, ao mesmo tempo, a palavra de Jesus vivida
faz-nos permanecer e também crescer, cada vez mais, no amor a Ele.
«Se
guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como
Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no
seu amor».
Permanecer, pois, no seu amor. Mas o que é que Jesus quer dizer com esta expressão?
Não
há dúvida que quer dizer que a observância dos seus mandamentos é o
sinal, a prova de que somos seus verdadeiros amigos. É a condição para
que também Jesus nos retribua e nos garanta a sua amizade. Mas parece
querer dizer também que a observância dos seus mandamentos constrói em
nós aquele amor que é característico de Jesus. Comunica-nos aquele modo
de amar, que nós vemos em toda a sua vida terrena: um amor que fazia de
Jesus uma coisa só com o Pai e, ao mesmo tempo, o impelia a
identificar-se e a ser uma coisa só com todos os seus irmãos,
especialmente os mais pequenos, os mais fracos, os mais marginalizados.
O
amor de Jesus era um amor que curava todas as feridas da alma e do
corpo, dava uma paz e uma alegria profunda, vencia toda e qualquer
divisão restabelecendo a fraternidade e a unidade entre todos.
Se pusermos em prática a sua palavra, Jesus viverá em nós e fará também de nós instrumentos do seu amor.
«Se
guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como
Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no
seu amor».
Como
viver então a Palavra de Vida deste mês? Recordando e orientando-nos
com determinação para o objetivo que ela nos propõe: uma vida cristã que
não se limite a uma observância redutiva, fria e exterior dos
mandamentos, mas que o faça com generosidade. Os santos agiram assim. E
são a Palavra de Deus viva.
Neste mês, escolhamos uma sua Palavra, um seu mandamento, e procuremos traduzi-lo em vida.
Dado que o Mandamento Novo de Jesus (‹‹Amai-vos uns aos outros como eu vos amei›› – cf. Jo 15, 12) é, de certa forma, o centro, a síntese de todas as palavras de Jesus, vivamo-lo com toda a radicalidade.
Chiara Lubich
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sábado, 1 de fevereiro de 2014
Palavra de Vida - fevereiro
«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5, 8)
Jesus começa a
sua pregação com o Sermão da Montanha. Em frente ao lago de Tiberíades,
num monte perto de Cafarnaúm, sentado – como costumavam fazer os mestres
–, Jesus anuncia às multidões o homem das bem-aventuranças. No Antigo
Testamento usava-se muitas vezes a palavra «bem-aventurado», exaltando a
pessoa que cumpria, das mais variadas formas, a Palavra do Senhor.
Nas
bem-aventuranças de Jesus encontrava-se, em parte, um eco das
bem-aventuranças que os discípulos já conheciam. No entanto, era a
primeira vez que eles ouviam dizer que os puros de coração – como
cantava o Salmo – eram, não só dignos de subir ao monte do Senhor (cf. Sl
24, 4), mas até de poder ver Deus. Qual era, então, essa pureza tão
sublime que tinha tanto mérito? Jesus haveria de explicá-lo repetidas
vezes durante a sua pregação. Procuremos, por isso, segui-lo, para nos
abeirarmos da fonte da verdadeira pureza.
«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus».
Antes
de mais nada, para Jesus, há um meio supremo de purificação: «Vós já
estais purificados pela Palavra que vos tenho anunciado» (Jo 15,
3). Não são tanto os exercícios rituais que purificam o espírito, mas a
sua Palavra. A Palavra de Jesus é diferente das palavras humanas. Nela
está presente Cristo, como também – de outro modo – está presente na
Eucaristia. Por meio da Palavra, Cristo entra em nós e, se a deixarmos
agir, torna-nos livres do pecado e, portanto, puros de coração.
Por
conseguinte, a pureza é o resultado da Palavra vivida, fruto de todas
aquelas Palavras de Jesus que nos libertam dos chamados “apegos” em que
forçosamente caímos se não tivermos o coração fixado em Deus e nos seus
ensinamentos. Esses apegos podem ser em relação às coisas, às criaturas,
ou a nós mesmos. Mas, se o coração estiver fixado unicamente em Deus,
tudo o resto deixa de nos atrair.
Para
ter êxito nesta tarefa, pode ser útil repetir a Jesus, a Deus, durante o
dia, aquela invocação do Salmo que diz: «És tu, Senhor, o meu único
bem!» (cf. Sl 16, 2). Procuremos repeti-lo frequentemente e,
sobretudo, quando os vários apegos ameaçarem arrastar o nosso coração
para imagens, sentimentos e paixões que possam ofuscar a ideia do bem e
tirar-nos a liberdade.
Somos
levados a olhar para certos cartazes publicitários, a assistir a certos
programas de televisão? Digamos-Lhe: «És tu, Senhor, o meu único bem».
Será este o primeiro passo que nos fará sair de nós mesmos, declarando
de novo a Deus o nosso amor. E assim vamos adquirindo a pureza.
Sentimos,
por vezes, que uma pessoa ou uma atividade se interpõem, como um
obstáculo, entre nós e Deus e turvam a nossa relação com Ele? É o
momento de Lhe repetir: «És tu, Senhor, o meu único bem». Isto
ajudar-nos-á a purificar as nossas intenções e a reencontrar a liberdade
interior.
«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus».
A
Palavra vivida torna-nos livres e puros porque é amor. É o amor que
purifica, com o seu fogo divino, as nossas intenções e todo o nosso
espírito, pois, segundo a Bíblia, o «coração» é a morada mais profunda
da inteligência e da vontade.
Mas
existe um amor que Jesus nos recomenda e que nos permite viver esta
bem-aventurança. É o amor recíproco, de quem está pronto a dar a vida
pelos outros, seguindo o exemplo de Jesus. Esse amor cria uma corrente,
cria uma reciprocidade, uma atmosfera, cuja nota dominante é
precisamente a transparência, a pureza, devido à presença de Deus que é o
único que pode criar em nós um coração puro (cf. Sl 51, 12). É vivendo o amor recíproco que a Palavra actua com os seus efeitos de purificação e de santificação.
O
indivíduo isolado é incapaz de resistir muito tempo às solicitações do
mundo. Pelo contrário, no amor recíproco, encontra um ambiente são,
capaz de proteger a sua pureza e toda a sua existência cristã autêntica.
«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus».
E
eis, então, o fruto desta pureza, sempre reconquistada: pode-se «ver»
Deus, isto é, compreender a sua ação na nossa vida e na História; ouvir a
sua voz no coração; descobrir a sua presença onde ela se encontra: nos
pobres, na Eucaristia, na sua Palavra, na comunhão fraterna, na Igreja.
É um saborear antecipadamente a presença de Deus, que começa já nesta vida, «pois caminhamos pela fé e não pela visão» (2 Cor 5, 7) até ao momento em que O «veremos face a face» (1 Cor 13, 12) por toda a eternidade.
Chiara Lubich
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Palavra de Vida - janeiro - adolescentes
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Para adolescentes dos 10 aos 12:
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Palavra de Vida - janeiro - com desenhos
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Palavra de Vida - janeiro
«Cristo, único fundamento da Igreja» (cf. 1 Cor 3, 11)
janeiro de 2014 (1)
Do
dia 18 ao dia 25 de janeiro, celebra-se, em muitas nações do mundo, a
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. No entanto, há locais em que
esta intenção é recordada no Pentecostes.
A frase escolhida para a Semana de Oração deste ano é: «Estará Cristo dividido?» (1 Cor 1, 13).
Chiara
Lubich, geralmente, comentava o versículo bíblico proposto. Para manter
este seu contributo, propomos um texto onde ela comenta o versículo:
«Cristo, único fundamento da Igreja» (cf. 1 Cor 3, 11), escrito em
janeiro de 2005, que poderá servir como aprofundamento da frase proposta
este ano.
«Cristo, único fundamento da Igreja» (cf. 1 Cor 3, 11) (2).
Estava-se
no ano 50 d. C. quando S. Paulo chegou a Corinto. Esta grande cidade da
Grécia era famosa pelo importante porto comercial e tinha uma grande
vivacidade devido às suas numerosas correntes de pensamento. Foi aí que,
durante 18 meses, o Apóstolo anunciou o Evangelho e lançou as bases de
uma florescente comunidade cristã. Depois dele, outros continuaram a
obra de evangelização. Mas os novos cristãos tinham a tendência de se
apegarem às pessoas que lhes levavam a mensagem de Cristo, e não ao
próprio Cristo. Surgiam assim as fações: «Eu sou de Paulo», diziam
alguns; e outros, sempre referindo-se ao seu apóstolo preferido: «Eu sou
de Apolo», ou: «Eu sou de Pedro».
Perante
a divisão que perturbava a comunidade, S. Paulo afirma com força que os
construtores da Igreja – que ele comparava a um edifício ou a um templo
– podem ser muitos, mas o alicerce é só um, a pedra viva: Cristo Jesus.
Sobretudo
neste mês, durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, as
Igrejas e as comunidades eclesiais recordam juntas que Cristo é o seu
único fundamento, e que só aderindo a Ele e vivendo o único Evangelho de
Cristo podem encontrar a total e visível unidade entre elas.
«Cristo, único fundamento da Igreja».
Fundar
a nossa vida em Cristo significa ser uma só coisa com Ele, pensar como
Ele pensa, querer aquilo que Ele quer, viver como Ele viveu.
Mas como nos podemos fundar, alicerçar n’Ele? Como nos podemos tornar uma só coisa com Ele?
Pondo em prática o Evangelho.
Jesus
é o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus que se encarnou. E, se Ele é a
Palavra que assumiu a natureza humana, nós só seremos verdadeiros
cristãos se formos homens e mulheres que impregnam toda a sua vida com a
Palavra de Deus.
Se
nós vivermos as suas palavras, ou melhor, se as suas palavras viverem
em nós, de maneira a tornarmo-nos “Palavras vivas”, seremos um com Ele,
estaremos mais próximos d’Ele. Já não viverá o eu ou o nós, mas a
Palavra em todos. Verificaremos que, vivendo assim, podemos dar um
contributo para que a unidade entre todos os cristãos se torne uma
realidade.
Tal como o corpo respira para viver, do mesmo modo a alma, para viver, vive a Palavra de Deus.
Um
dos primeiros frutos é o nascimento de Jesus em nós e entre nós. Isto
provoca uma mudança de mentalidade: injeta no coração de todos – sejam
eles europeus ou asiáticos, australianos, americanos ou africanos – os
mesmos sentimentos de Cristo diante das circunstâncias, das pessoas, da
sociedade. (…)
A
Palavra vivida torna-nos livres dos condicionamentos humanos, infunde
alegria, paz, simplicidade, plenitude de vida, luz. Fazendo-nos aderir a
Cristo, transforma-nos, pouco a pouco, em outros Ele.
«Cristo, único fundamento da Igreja».
Mas
há uma Palavra que resume todas as outras, é amar: amar a Deus e ao
próximo. Jesus sintetiza nesta palavra «toda a Lei e os Profetas» (cf. Mt 22,40).
O
facto é que, cada Palavra, embora sendo expressa em termos humanos e
diferentes, é Palavra de Deus. Mas, como Deus é Amor, cada Palavra é
caridade.
Como viver então este mês? Como nos ligarmos estreitamente a Cristo, «único fundamento da Igreja»? Amando como Ele nos ensinou.
«Ama e faz o que quiseres» (3),
disse Santo Agostinho, como que sintetizando a norma de vida
evangélica. Porque, quando amamos não erramos, mas realizamos plenamente
a vontade de Deus.
Chiara Lubich
1) Publicada em Cidade Nova, 2005/01, p. 20, em versão integral; 2) 1 Cor 3, 11: «Ninguém pode pôr um fundamento diferente do que já foi posto: Jesus Cristo»; 3) em Comentário da Primeira Epístola de S. João, Tratado VII, 8, p. 151 (Ed. Paulinas, S. Paulo, Brasil, 1989).
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domingo, 1 de dezembro de 2013
Palavra de Vida - dezembro - adolescentes
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Palavra de Vida - dezembro
«O Senhor vos faça crescer e superabundar de caridade uns para com os outros e para com todos» (1 Ts 3, 12).
dezembro de 2013 (1)
Esta
é uma daquelas expressões, familiares a S. Paulo, em que ele deseja, e
ao mesmo tempo pede ao Senhor, graças especiais para as suas comunidades
(cf. Ef 3, 18; Fil 1, 9, etc.).
Para
os Tessalonicenses pede, desta vez, a graça de um amor recíproco cada
vez maior, superabundante. Não se trata de uma repreensão velada, como
se não existisse o amor recíproco naquela comunidade, mas sim de um
alerta para uma exigência inerente ao próprio amor: o seu crescimento
constante.
«O Senhor vos faça crescer e superabundar de caridade uns para com os outros e para com todos».
Se o amor, que é o centro da vida cristã, não progredir, toda a vida do cristão se ressente, enfraquece e pode vir a apagar-se.
Não
basta termos compreendido, num momento de luz, o mandamento do amor ao
próximo. Nem termos experimentado, cheios de entusiasmo, os seus
impulsos e o seu ardor no período inicial da nossa conversão ao
Evangelho. É necessário fazê-lo crescer mantendo-o sempre vivo, ativo e
operante. Isto só vai acontecer se soubermos aproveitar, com prontidão e
generosidade cada vez maiores, as várias oportunidades que a vida nos
oferece em cada dia.
«O Senhor vos faça crescer e superabundar de caridade uns para com os outros e para com todos».
Para S. Paulo, as comunidades cristãs deveriam ter a frescura e a vivacidade de uma verdadeira família.
Compreende-se,
portanto, a intenção do apóstolo de as alertar contra os perigos que
mais frequentemente as ameaçam: o individualismo, a superficialidade, a
mediocridade.
Mas
S. Paulo quer avisá-las também de outro grave perigo, estreitamente
ligado ao precedente: o de se instalarem numa vida ordenada e tranquila,
mas fechada em si mesma.
Ele
deseja comunidades abertas, já que é próprio da caridade amar os irmãos
que têm a mesma fé que nós e, por outro lado, ir ao encontro de todos,
ser sensíveis aos problemas e às necessidades de todos. É próprio da
caridade saber acolher qualquer pessoa, construir pontes, reconhecendo o
positivo e unindo as nossas aspirações e esforços, para realizar o bem,
aos de todos os que demonstrarem boa vontade.
«O Senhor vos faça crescer e superabundar de caridade uns para com os outros e para com todos».
Como
viveremos então a Palavra de Vida deste mês? Procurando crescer também
nós no amor recíproco dentro das nossas famílias, do nosso ambiente de
trabalho, das nossas comunidades ou associações eclesiais, paróquias,
etc.
Esta
Palavra requer de nós uma caridade superabundante, isto é, uma caridade
que saiba ultrapassar as medidas medíocres e as várias barreiras
provenientes do nosso egoísmo subtil. Será suficiente pensar em certos
aspetos da caridade (tolerância, compreensão, acolhimento recíproco,
paciência, disponibilidade para servir, misericórdia para com as
verdadeiras ou para com as presumíveis faltas do nosso próximo, partilha
dos bens materiais, etc.) para descobrirmos muitas oportunidades para
viver.
Além
disso, é evidente que, se houver na nossa comunidade este clima de amor
recíproco, o seu calor propagar-se-á inevitavelmente a todos. E até
aqueles que ainda não conhecem a vida cristã irão sentir a sua atração
e, quase sem disso se aperceberem, serão facilmente envolvidos por ela
até se sentirem parte de uma mesma família.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida publicada em Città Nuova, 1994/20, pp. 32-33.
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Palavra de Vida - novembro - adolescentes
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Palavra de Vida - novembro
«Sede bondosos uns para com os outros, compassivos; perdoai-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo›› (Ef 4, 32). (1)
Este
programa de vida é concreto e essencial. E já bastaria para criar uma
sociedade diferente, mais fraterna, mais solidária. Esta frase está
incluída
num amplo projeto proposto aos cristãos da Ásia Menor.
Naquelas
comunidades tinha-se conseguido estabelecer a “paz” entre Judeus e
Gentios, que eram os dois povos representantes da humanidade, até então
divididos.
A
unidade, que Cristo nos deu, deve ser sempre reavivada e traduzida em
comportamentos sociais concretos, inteiramente inspirados pelo amor
recíproco. Por isso São Paulo dá as indicações sobre como devem ser os
relacionamentos:
«Sede bondosos uns para com os outros, compassivos; perdoai-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo››.
Bondade:
querer o bem do outro. É “fazer-se um” com cada próximo,
aproximarmo-nos dele completamente vazios de nós mesmos – vazios dos
nossos interesses, das nossas ideias, dos muitos preconceitos que nos
ofuscam o olhar – para nos revestirmos dos seus pesos, das suas
necessidades, dos seus sofrimentos, para partilhar as suas alegrias.
É
entrar no coração daqueles com quem contactamos para compreender a sua
mentalidade, a sua cultura, as suas tradições e fazê-las, de certo modo,
nossas. E compreender realmente aquilo de que necessitam para saber
captar os valores que Deus depositou no coração de cada pessoa. Numa
palavra: viver para quem está ao nosso lado.
Misericórdia:
aceitar o outro tal como é, e não como gostaríamos que fosse.
Gostaríamos que tivesse um caráter diferente, tivesse as mesmas ideias
políticas que nós, as nossas convicções religiosas, e não tivesse
aqueles defeitos ou aqueles modos de proceder que tanto nos chocam. Não!
Temos que dilatar o nosso coração e torná-lo capaz de aceitar todos,
com as suas divergências, os seus limites e misérias.
Perdão:
ver o outro sempre de um modo novo. Até nas convivências mais bonitas e
serenas, na família, na escola, no trabalho, não faltam momentos de
atrito, divergências, desentendimentos. Há quem chegue até a deixar de
se falar, a evitar encontrar-se, isto para não falar de quando se
enraíza no coração um verdadeiro ódio para com os que pensam de maneira
diferente. É preciso um esforço forte e exigente para procurar ver,
todos os dias, o irmão e a irmã como se fossem novos, completamente
novos, sem nos lembrarmos das ofensas recebidas, mas cobrindo tudo com o
amor, com uma amnistia completa do nosso coração, à imitação de Deus
que perdoa e esquece.
A
paz verdadeira e a unidade só se conseguem quando a bondade, a
misericórdia e o perdão forem vividos, não só por cada um
individualmente, mas juntos, na reciprocidade.
E,
tal como numa lareira acesa, é preciso remexer as brasas, de vez em
quando, para não serem cobertas pelas cinzas, também é necessário, de
tempos a tempos, reavivar conscientemente o amor recíproco, reavivar os
relacionamentos com todos, para que não sejam cobertos pela cinza da
indiferença, da apatia, do egoísmo.
«Sede bondosos uns para com os outros, compassivos; e perdoai-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo››.
Estas atitudes têm de se traduzir em factos, em ações concretas.
O
próprio Jesus mostrou o que é o amor quando curou os doentes, quando
saciou a fome às multidões, quando ressuscitou os mortos, quando lavou
os pés aos discípulos. Factos, factos: é assim que se ama.
Recordo-me
de uma mãe de família africana: sofreu muito porque a sua filha, a
Rosangela, perdeu a visão de um dos lados, vítima de um rapazito
agressivo que a tinha ferido com uma cana e continuava a zombar dela. Os
pais do rapaz não foram pedir desculpa. O silêncio, a falta de
relacionamento com aquela família amarguravam-na. «Consola-te – dizia a
Rosangela, que lhes tinha perdoado –, tenho sorte, pois posso ver com a
outra vista!››.
«Uma
manhã – conta a mãe da Rosangela –, a mãe daquele rapazinho mandou-me
chamar porque se sentia mal. A minha primeira reação foi: “Olha, agora
vem-me pedir ajuda a mim, com tantos outros vizinhos de casa, vem-me
pedir a mim, depois daquilo que o seu filho nos fez!”.
Mas
imediatamente me lembrei que o amor não tem barreiras. Fui a correr à
sua casa. Ela abriu-me a porta e desfaleceu-me nos braços. Acompanhei-a
ao hospital e fiquei com ela até os médicos tratarem dela. Passada uma
semana, quando saiu do hospital, ela veio a minha casa para me
agradecer. Recebi-a com todo o coração. Consegui perdoar-lhe. Agora
voltámos a falar-nos, ou melhor, nasceu um relacionamento completamente
novo››.
Também
o nosso dia se pode encher de serviços concretos, humildes e
inteligentes, expressões do nosso amor. Veremos crescer a fraternidade e
a paz à nossa volta.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida publicada em Città Nuova, 2006/14, p. 9.
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terça-feira, 1 de outubro de 2013
Palavra de Vida - outubro - adolescentes
Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês, uma síntese ilustrada do comentário de Chiara Lubich. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.
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Palavra de Vida - outubro - com desenhos
Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.
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Palavra de Vida - outubro
«Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei» (Rm 13, 8). (1)
Nos versículos precedentes (Rm
13, 1-7) São Paulo tinha falado da dívida que nós temos para com a
autoridade civil (obediência, respeito, pagamento das taxas, etc.),
sublinhando que também o pagamento dessa dívida deve ser motivado pelo
amor. Seja como for, trata-se de uma dívida facilmente compreensível,
também porque, caso não a pagássemos, mereceríamos as sanções previstas
pela lei.
Partindo
dali, agora passa a falar de uma outra dívida, um pouco mais difícil de
compreender: é aquela que – segundo o preceito que Jesus nos deixou –
nós temos para com cada próximo. É o amor recíproco nas suas várias
expressões: generosidade, delicadeza, confiança, estima recíproca,
sinceridade, etc. (cf. Rm 12, 9-12).
«Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei».
Esta Palavra de Vida destaca duas coisas.
A
primeira é que o amor nos é apresentado como uma dívida, ou seja, como
algo perante o qual não podemos permanecer indiferentes, não podemos
adiar. É qualquer coisa que nos obriga, nos persegue, não nos deixa
descansados enquanto não a tivermos pago.
É
como dizer que o amor recíproco não é um “mais”, resultante da nossa
generosidade, do qual – segundo o significado rigoroso do termo – nos
poderíamos eximir sem incorrermos nas sanções da lei positiva. Esta
Palavra pede-nos insistentemente que o ponhamos em prática sob pena de
trairmos a nossa dignidade de cristãos, chamados por Jesus a ser
instrumentos do seu amor no mundo.
A segunda, é dizer que o amor recíproco é o motor, a alma e a finalidade de todos os mandamentos.
A
consequência é que, se queremos fazer bem a vontade de Deus, não nos
podemos contentar com uma observância fria e jurídica dos seus
mandamentos. Temos mesmo que ter sempre presente esta finalidade, que
Deus nos propõe. Assim, por exemplo, para viver bem o sétimo mandamento,
não nos poderemos limitar a não roubar, mas devemos empenhar-nos
seriamente em eliminar as injustiças sociais. Só assim é que podemos
demonstrar que amamos o nosso semelhante.
«Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o próximo cumpre plenamente a lei».
Como viver, então, a Palavra deste mês?
O
tema do amor ao próximo, que ela nos volta a propor, contém infinitas
tonalidades. Aqui recordaremos sobretudo uma, que nos parece mesmo
sugerida pelas palavras do texto.
Se,
como diz São Paulo, o amor recíproco é uma dívida, será necessário
possuirmos um amor que nos faça ser os primeiros a amar, como fez Jesus
conosco. Será, portanto, um amor que toma a iniciativa, que não espera,
que não adia.
Façamos,
então, assim neste mês. Procuremos ser os primeiros a amar cada pessoa
que encontrarmos, à qual telefonarmos, escrevermos, ou com a qual
vivemos. E que o nosso amor seja um amor concreto, que sabe compreender,
prevenir, que é paciente, confiante, perseverante, generoso.
Verificaremos que a nossa vida espiritual vai dar um salto de qualidade, sem falar na alegria que encherá o nosso coração.
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida publicada em Città Nuova 1990/15/16, p. 9.
2 Cf. Lv 19, 18.
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terça-feira, 3 de setembro de 2013
Palavra de Vida - setembro - adolescentes
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