quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Palavra de Vida - Janeiro
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo» [1 Cor 12, 20]. (1)
Por acaso já estiveram alguma vez em contacto com uma comunidade viva de cristãos, de cristãos autênticos? Nunca assistiram a uma reunião destes cristãos? Já tentaram compreender a vida deles?
Se já, devem ter reparado que, entre aqueles que a constituem, existem muitas funções: há os que têm o dom da palavra e conseguem comunicar realidades espirituais de uma forma que nos toca profundamente. Há aqueles que têm o dom de ajudar, de dar assistência, de ir ao encontro das necessidades dos outros e nos deixam admirados com aquilo que conseguem, em benefício de quem sofre. Há quem saiba ensinar com uma tal sabedoria que infunde uma nova força na fé que já possuímos. Uns, têm a arte de organizar, outros, de governar. Há aqueles que sabem compreender as pessoas com quem contactam e distribuem consolação aos corações atribulados.
Sim, podemos experimentar tudo isto, mas aquilo que mais impressiona, numa comunidade realmente viva, é o único espírito que em todos reina e que parece que se sente pairar, e que faz daquela pequena e original sociedade uma coisa só, um único corpo.
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Também S. Paulo, de uma maneira especial, se encontrou diante de comunidades muito vivas, que nasceram precisamente através da sua extraordinária palavra.
Uma destas era a jovem comunidade de Corinto, onde o Espírito Santo não tinha sido parco ao distribuir os seus dons ou carismas, como são chamados. Tanto mais que, naquele tempo, alguns destes se manifestavam de forma extraordinária, por causa da vocação especial da Igreja que estava a nascer.
Mas esta comunidade, depois de fazer a exaltante experiência dos vários dons distribuídos pelo Espírito Santo, conheceu também rivalidades e desavenças, precisamente entre quem tinha recebido esses dons.
Foi então necessário dirigirem-se a S. Paulo, que estava em Éfeso, para lhe pedirem esclarecimentos.
S. Paulo não hesita e responde com uma das suas extraordinárias cartas, explicando como devem ser usadas estas graças especiais.
Ele explica que existe uma diversidade de carismas, uma diversidade de ministérios, como o dos apóstolos, o dos profetas ou o dos mestres, mas que um só é o Senhor de Quem eles provêm. Diz que, na comunidade, existem os que fazem milagres, fazem curas; pessoas com uma aptidão excepcional para dar assistência, outras para o governo. E existem os que sabem falar línguas, e os que as sabem interpretar, mas acrescenta que eles têm origem no mesmo e único Deus.
E, se os vários dons são expressões do mesmo Espírito Santo, que os distribui livremente, então não podem deixar de estar em harmonia entre si, não podem deixar de ser complementares. Eles não são para uso pessoal, nem podem ser motivo de vaidade ou de auto-afirmação, mas foram concedidos para uma finalidade comum: construir a comunidade. A sua finalidade é o serviço. Portanto, não podem gerar rivalidades ou confusão.
S. Paulo, embora se referisse aos dons especiais que se destinavam mais precisamente à vida da comunidade, é da opinião que cada um dos seus membros tem uma capacidade própria, um talento específico, que deve pôr a render para o bem de todos, e que cada um deve estar contente com o seu. Ele apresenta a comunidade como um corpo e interroga-se: «Se o corpo inteiro fosse o olho, o que seria do ouvido? E, se todo ele fosse o ouvido, o que seria do olfacto? Deus, porém, dispôs os membros do corpo, cada um conforme entendeu. Se todos fossem um só membro, que seria do corpo?» (2). Pelo contrário:
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Se cada um é diferente, cada um pode ser uma dádiva para os outros. Deste modo, cada um será o que deve ser, e pode realizar o projecto de Deus sobre si, em relação aos outros. E S. Paulo vê na comunidade, onde os diversos dons actuam, uma realidade a que dá um esplêndido nome: Cristo. O facto é que aquele original corpo que os membros da comunidade compõem é, realmente, o Corpo de Cristo. Pois Cristo continua a viver na sua Igreja, e a Igreja é o seu Corpo. Pelo Baptismo, o Espírito Santo incorpora o crente em Cristo e depois insere-o na comunidade. E nela todos são Cristo: todas as divisões são eliminadas, todas as discriminações ultrapassadas.
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Se o corpo é um só, os membros da comunidade cristã realizam bem o seu novo modo de viver se actuarem entre eles a unidade, aquela unidade que pressupõe a diversidade, o pluralismo. A comunidade não se assemelha a um bloco de matéria inerte, mas a um organismo vivo com vários membros.
Para os cristãos, provocar divisões é o contrário daquilo que devem fazer.
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Como deveremos então viver esta nova Palavra que a Escritura nos propõe?
É preciso que tenhamos muito respeito pelas várias funções, pelos dons e talentos existentes na comunidade cristã.
É necessário dilatar o nosso coração sobre toda a variada riqueza da Igreja, e não apenas a da pequena Igreja que frequentamos e conhecemos melhor – a comunidade paroquial ou a associação cristã a que estamos ligados, ou o Movimento eclesial de que somos membros. Dilatar o coração sobre a Igreja universal, nas suas múltiplas formas e expressões.
Devemos sentir tudo como nosso, porque fazemos parte deste único corpo.
Então, tal como temos em consideração e protegemos cada um dos membros do nosso corpo físico, do mesmo modo devemos fazer também com cada membro do corpo espiritual.
(…) Devemos ter estima por todos, fazer o que pudermos para que todos possam tornar-se úteis à Igreja, do melhor modo possível.
(…) Não devemos desprezar, no entanto, aquilo que Deus nos pede ali onde nos encontramos, por mais monótono e sem significado que possa parecer o nosso trabalho quotidiano. Todos pertencemos a um mesmo corpo e, como membros, cada um participa na actividade do corpo inteiro, permanecendo no lugar que Deus escolheu para ele.
O essencial, além de tudo, é que possuamos aquele carisma que, como anuncia S. Paulo, ultrapassa todos os outros, e que é o Amor: o amor por cada pessoa que encontrarmos, o amor por todas as pessoas da Terra. É com o amor, com o amor recíproco, que os muitos membros podem ser um só corpo (3).
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Janeiro de 1981; 2) cf. 1 Cor 12, 17-19; 3) A versão integral (da qual, por exigências de espaço, transcrevemos aqui só alguns trechos) está publicada em: Chiara Lubich, Costruire sulla roccia, Roma 1983, pp. 17-21.
Por acaso já estiveram alguma vez em contacto com uma comunidade viva de cristãos, de cristãos autênticos? Nunca assistiram a uma reunião destes cristãos? Já tentaram compreender a vida deles?
Se já, devem ter reparado que, entre aqueles que a constituem, existem muitas funções: há os que têm o dom da palavra e conseguem comunicar realidades espirituais de uma forma que nos toca profundamente. Há aqueles que têm o dom de ajudar, de dar assistência, de ir ao encontro das necessidades dos outros e nos deixam admirados com aquilo que conseguem, em benefício de quem sofre. Há quem saiba ensinar com uma tal sabedoria que infunde uma nova força na fé que já possuímos. Uns, têm a arte de organizar, outros, de governar. Há aqueles que sabem compreender as pessoas com quem contactam e distribuem consolação aos corações atribulados.
Sim, podemos experimentar tudo isto, mas aquilo que mais impressiona, numa comunidade realmente viva, é o único espírito que em todos reina e que parece que se sente pairar, e que faz daquela pequena e original sociedade uma coisa só, um único corpo.
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Também S. Paulo, de uma maneira especial, se encontrou diante de comunidades muito vivas, que nasceram precisamente através da sua extraordinária palavra.
Uma destas era a jovem comunidade de Corinto, onde o Espírito Santo não tinha sido parco ao distribuir os seus dons ou carismas, como são chamados. Tanto mais que, naquele tempo, alguns destes se manifestavam de forma extraordinária, por causa da vocação especial da Igreja que estava a nascer.
Mas esta comunidade, depois de fazer a exaltante experiência dos vários dons distribuídos pelo Espírito Santo, conheceu também rivalidades e desavenças, precisamente entre quem tinha recebido esses dons.
Foi então necessário dirigirem-se a S. Paulo, que estava em Éfeso, para lhe pedirem esclarecimentos.
S. Paulo não hesita e responde com uma das suas extraordinárias cartas, explicando como devem ser usadas estas graças especiais.
Ele explica que existe uma diversidade de carismas, uma diversidade de ministérios, como o dos apóstolos, o dos profetas ou o dos mestres, mas que um só é o Senhor de Quem eles provêm. Diz que, na comunidade, existem os que fazem milagres, fazem curas; pessoas com uma aptidão excepcional para dar assistência, outras para o governo. E existem os que sabem falar línguas, e os que as sabem interpretar, mas acrescenta que eles têm origem no mesmo e único Deus.
E, se os vários dons são expressões do mesmo Espírito Santo, que os distribui livremente, então não podem deixar de estar em harmonia entre si, não podem deixar de ser complementares. Eles não são para uso pessoal, nem podem ser motivo de vaidade ou de auto-afirmação, mas foram concedidos para uma finalidade comum: construir a comunidade. A sua finalidade é o serviço. Portanto, não podem gerar rivalidades ou confusão.
S. Paulo, embora se referisse aos dons especiais que se destinavam mais precisamente à vida da comunidade, é da opinião que cada um dos seus membros tem uma capacidade própria, um talento específico, que deve pôr a render para o bem de todos, e que cada um deve estar contente com o seu. Ele apresenta a comunidade como um corpo e interroga-se: «Se o corpo inteiro fosse o olho, o que seria do ouvido? E, se todo ele fosse o ouvido, o que seria do olfacto? Deus, porém, dispôs os membros do corpo, cada um conforme entendeu. Se todos fossem um só membro, que seria do corpo?» (2). Pelo contrário:
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Se cada um é diferente, cada um pode ser uma dádiva para os outros. Deste modo, cada um será o que deve ser, e pode realizar o projecto de Deus sobre si, em relação aos outros. E S. Paulo vê na comunidade, onde os diversos dons actuam, uma realidade a que dá um esplêndido nome: Cristo. O facto é que aquele original corpo que os membros da comunidade compõem é, realmente, o Corpo de Cristo. Pois Cristo continua a viver na sua Igreja, e a Igreja é o seu Corpo. Pelo Baptismo, o Espírito Santo incorpora o crente em Cristo e depois insere-o na comunidade. E nela todos são Cristo: todas as divisões são eliminadas, todas as discriminações ultrapassadas.
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Se o corpo é um só, os membros da comunidade cristã realizam bem o seu novo modo de viver se actuarem entre eles a unidade, aquela unidade que pressupõe a diversidade, o pluralismo. A comunidade não se assemelha a um bloco de matéria inerte, mas a um organismo vivo com vários membros.
Para os cristãos, provocar divisões é o contrário daquilo que devem fazer.
«Há, pois, muitos membros, mas um só corpo».
Como deveremos então viver esta nova Palavra que a Escritura nos propõe?
É preciso que tenhamos muito respeito pelas várias funções, pelos dons e talentos existentes na comunidade cristã.
É necessário dilatar o nosso coração sobre toda a variada riqueza da Igreja, e não apenas a da pequena Igreja que frequentamos e conhecemos melhor – a comunidade paroquial ou a associação cristã a que estamos ligados, ou o Movimento eclesial de que somos membros. Dilatar o coração sobre a Igreja universal, nas suas múltiplas formas e expressões.
Devemos sentir tudo como nosso, porque fazemos parte deste único corpo.
Então, tal como temos em consideração e protegemos cada um dos membros do nosso corpo físico, do mesmo modo devemos fazer também com cada membro do corpo espiritual.
(…) Devemos ter estima por todos, fazer o que pudermos para que todos possam tornar-se úteis à Igreja, do melhor modo possível.
(…) Não devemos desprezar, no entanto, aquilo que Deus nos pede ali onde nos encontramos, por mais monótono e sem significado que possa parecer o nosso trabalho quotidiano. Todos pertencemos a um mesmo corpo e, como membros, cada um participa na actividade do corpo inteiro, permanecendo no lugar que Deus escolheu para ele.
O essencial, além de tudo, é que possuamos aquele carisma que, como anuncia S. Paulo, ultrapassa todos os outros, e que é o Amor: o amor por cada pessoa que encontrarmos, o amor por todas as pessoas da Terra. É com o amor, com o amor recíproco, que os muitos membros podem ser um só corpo (3).
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Janeiro de 1981; 2) cf. 1 Cor 12, 17-19; 3) A versão integral (da qual, por exigências de espaço, transcrevemos aqui só alguns trechos) está publicada em: Chiara Lubich, Costruire sulla roccia, Roma 1983, pp. 17-21.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Postal de Natal
(...) “Jesus, o Emanuel, o “Deus connosco”, explica o Natal. (...)Natal mostra o amor que Deus tem por nós.
O Menino Jesus é a oferta mais excelsa que o Céu poderia fazer
à Terra. Esta minúscula Terra, perdida na imensidão dos espaços,
entre biliões de estrelas, mas de tal modo eleito, de tal modo
escolhida que se tornou a morada do Deus verdadeiro feito
homem.
O Natal grita-nos que Deus nos ama, que Deus é Amor.
E nós não somos autênticos cristãos se não dermos ao Natal
o seu verdadeiro significado; se não soubermos extrair deste
encantador mistério, circundado por tanta aparência, a verdade
que ele traz em si.
Devemos fazer como os anjos que o anunciaram aos pastores
e não perder nenhuma ocasião para recordar aos irmãos, aos
amigos, aos companheiros e ao mundo que o Amor desceu à
Terra para cada um de nós. Que ninguém, no Natal, se deve
sentir só, abandonado, órfão ou infeliz.
Jesus não veio só para os brancos nem só para os negros: não
veio apenas para os europeus nem unicamente para outros povos.
Deus fez-se homem pela humanidade inteira, portanto, para
cada um de nós.
É festa, então, para todos, alegria para todos, liberdade para
todos, paz para todos.”
Chiara Lubich
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Palavra de Vida - Dezembro - vídeo
Adaptação ao comentário de Chiara Lubich.
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Palavra de Vida - Dezembro - com fotografias
Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês -adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Palavra de Vida - Dezembro
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua» [Lc 22, 42]. (1)
Lembram-se? Foram as palavras que Jesus dirigiu ao Pai no Jardim das Oliveiras e que dão sentido à Sua Paixão, seguida da Ressurreição. Esta frase exprime com toda a intensidade o drama que se passou no íntimo de Jesus. Revela a ferida interior provocada pela repugnância profunda da Sua natureza humana diante da morte determinada pelo Pai. Mas Cristo não ficou à espera daquele dia para aderir com a Sua vontade à vontade de Deus. Ele fez isso durante toda a vida. Se foi esta a conduta de Cristo, então deve ser esta a atitude de todos os cristãos. Cada um de nós deve repetir na sua vida:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
É muito possível que não tenhamos pensado nisso, mesmo sendo baptizados, e filhos da Igreja. Muitas vezes reduzimos esta frase a uma expressão de resignação, que se pronuncia quando não se pode fazer mais nada. Mas não é esta a sua verdadeira interpretação.
Atenção! Na vida, podemos escolher duas direcções: fazer a nossa vontade, ou optar livremente por fazer a vontade de Deus.
E teremos então duas possibilidades: a primeira, que depressa se tornará decepcionante, é como escalar a montanha da vida só com as nossas ideias limitadas, com os poucos meios que temos, com os nossos pobres sonhos, contando só com as nossas forças. A partir daí, mais tarde ou mais cedo, vai chegar a experiência da rotina de uma existência cheia de tédio, de mediocridade, de pessimismo e, às vezes, até de desespero. Uma vida monótona, apesar do nosso esforço por torná-la interessante, que nunca chegará a satisfazer o nosso íntimo mais profundo. Temos que o admitir. Não o podemos negar. E, no fim de tudo, virá uma morte banal, que não deixa rasto: apenas algumas lágrimas e tudo cai num esquecimento inexorável, total e universal.
A segunda possibilidade é quando também nós repetimos com Jesus:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
Se virmos bem, Deus é como um sol. Deste sol partem muitos raios que se projectam sobre cada pessoa. Representam a vontade de Deus sobre cada uma delas. Durante a sua vida, os cristãos, e também as pessoas de boa vontade, são chamados a caminhar em direcção ao sol, seguindo a luz do raio de sol que lhe é próprio, diferente e distinto de todos os outros. E poderão realizar o projecto maravilhoso, pessoal, que Deus tem para cada um.
Se assim fizermos, vamo-nos sentir envolvidos numa divina aventura, nunca antes imaginada. Seremos, ao mesmo tempo, actores e espectadores de um qualquer coisa de grandioso que Deus realiza em nós e, através de nós, na humanidade. Tudo aquilo que vier a acontecer-nos, como os sofrimentos e alegrias, graças e desgraças, factos importantes (tais como sucessos ou momentos de sorte, acidentes ou a morte de entes queridos), factos insignificantes (como o trabalho do dia-a-dia em casa, no escritório ou na escola), tudo, tudo vai adquirir um significado novo, porque nos é oferecido pela mão de Deus que é Amor. Tudo o que Ele quer, ou permite, é para o nosso bem. E, se no princípio acreditamos nisso apenas com a fé, veremos depois, com os olhos da alma, que existe um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a compor um magnífico bordado: é o projecto de Deus para cada um de nós.
Pode ser que esta perspectiva te atraia e queiras sinceramente dar um sentido mais profundo à tua vida. Então ouve. Vou dizer, antes de mais, quando se deve fazer a vontade de Deus. Se pensarmos bem: o passado já não existe e não podemos voltar a tê-lo. Só nos resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou. Havemos de o viver quando se tornar actual. Nas nossas mãos só temos o momento presente. É nele que devemos viver a Palavra:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
Quando se quer fazer uma viagem – e a vida é também uma viagem –, sentamo-nos sossegados no nosso lugar. Não nos passa pela cabeça pôr-nos a andar para trás e para diante na carruagem do comboio. Era o que fariam aqueles que querem viver a vida a sonhar com um futuro que ainda não existe, ou a pensar no passado que nunca mais vai voltar.
Não, o tempo caminha por si. É preciso concentrarmo-nos no presente para chegarmos à plena realização da nossa vida aqui na Terra.
Podem perguntar-me: mas como é que posso distinguir a vontade de Deus da minha? No momento presente não é difícil saber qual é a vontade de Deus. Vou-te indicar um caminho. Ouve bem, dentro de ti, uma voz delicada, que muitas vezes sufocamos, e que se torna quase imperceptível. Mas, se a ouvirmos bem: é a voz de Deus (2). Ela diz-nos que aquele é o momento de ir estudar, ou de ajudar quem tem necessidade, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou de cidadão. Convida-nos a dar atenção a alguém que nos fala em nome de Deus, ou a enfrentar com coragem situações difíceis... Temos que a ouvir. Não façamos calar essa voz: é o tesouro mais precioso que possuimos. Sigamo-la! E, então, momento a momento, construiremos a nossa história pessoal. É uma história humana e, ao mesmo tempo, divina, porque feita por cada um de nós em colaboração com Deus. Veremos maravilhas. Veremos o que Deus pode fazer numa pessoa que diz, com toda a sua vida:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Agosto de 1978. Publicada em Essere la tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, Roma 1980, pp. 81-84; 2) cf. Jo 18, 37; cf. Ap 3, 20.
Lembram-se? Foram as palavras que Jesus dirigiu ao Pai no Jardim das Oliveiras e que dão sentido à Sua Paixão, seguida da Ressurreição. Esta frase exprime com toda a intensidade o drama que se passou no íntimo de Jesus. Revela a ferida interior provocada pela repugnância profunda da Sua natureza humana diante da morte determinada pelo Pai. Mas Cristo não ficou à espera daquele dia para aderir com a Sua vontade à vontade de Deus. Ele fez isso durante toda a vida. Se foi esta a conduta de Cristo, então deve ser esta a atitude de todos os cristãos. Cada um de nós deve repetir na sua vida:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
É muito possível que não tenhamos pensado nisso, mesmo sendo baptizados, e filhos da Igreja. Muitas vezes reduzimos esta frase a uma expressão de resignação, que se pronuncia quando não se pode fazer mais nada. Mas não é esta a sua verdadeira interpretação.
Atenção! Na vida, podemos escolher duas direcções: fazer a nossa vontade, ou optar livremente por fazer a vontade de Deus.
E teremos então duas possibilidades: a primeira, que depressa se tornará decepcionante, é como escalar a montanha da vida só com as nossas ideias limitadas, com os poucos meios que temos, com os nossos pobres sonhos, contando só com as nossas forças. A partir daí, mais tarde ou mais cedo, vai chegar a experiência da rotina de uma existência cheia de tédio, de mediocridade, de pessimismo e, às vezes, até de desespero. Uma vida monótona, apesar do nosso esforço por torná-la interessante, que nunca chegará a satisfazer o nosso íntimo mais profundo. Temos que o admitir. Não o podemos negar. E, no fim de tudo, virá uma morte banal, que não deixa rasto: apenas algumas lágrimas e tudo cai num esquecimento inexorável, total e universal.
A segunda possibilidade é quando também nós repetimos com Jesus:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
Se virmos bem, Deus é como um sol. Deste sol partem muitos raios que se projectam sobre cada pessoa. Representam a vontade de Deus sobre cada uma delas. Durante a sua vida, os cristãos, e também as pessoas de boa vontade, são chamados a caminhar em direcção ao sol, seguindo a luz do raio de sol que lhe é próprio, diferente e distinto de todos os outros. E poderão realizar o projecto maravilhoso, pessoal, que Deus tem para cada um.
Se assim fizermos, vamo-nos sentir envolvidos numa divina aventura, nunca antes imaginada. Seremos, ao mesmo tempo, actores e espectadores de um qualquer coisa de grandioso que Deus realiza em nós e, através de nós, na humanidade. Tudo aquilo que vier a acontecer-nos, como os sofrimentos e alegrias, graças e desgraças, factos importantes (tais como sucessos ou momentos de sorte, acidentes ou a morte de entes queridos), factos insignificantes (como o trabalho do dia-a-dia em casa, no escritório ou na escola), tudo, tudo vai adquirir um significado novo, porque nos é oferecido pela mão de Deus que é Amor. Tudo o que Ele quer, ou permite, é para o nosso bem. E, se no princípio acreditamos nisso apenas com a fé, veremos depois, com os olhos da alma, que existe um fio de ouro a ligar acontecimentos e coisas, a compor um magnífico bordado: é o projecto de Deus para cada um de nós.
Pode ser que esta perspectiva te atraia e queiras sinceramente dar um sentido mais profundo à tua vida. Então ouve. Vou dizer, antes de mais, quando se deve fazer a vontade de Deus. Se pensarmos bem: o passado já não existe e não podemos voltar a tê-lo. Só nos resta colocá-lo na misericórdia de Deus. O futuro ainda não chegou. Havemos de o viver quando se tornar actual. Nas nossas mãos só temos o momento presente. É nele que devemos viver a Palavra:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
Quando se quer fazer uma viagem – e a vida é também uma viagem –, sentamo-nos sossegados no nosso lugar. Não nos passa pela cabeça pôr-nos a andar para trás e para diante na carruagem do comboio. Era o que fariam aqueles que querem viver a vida a sonhar com um futuro que ainda não existe, ou a pensar no passado que nunca mais vai voltar.
Não, o tempo caminha por si. É preciso concentrarmo-nos no presente para chegarmos à plena realização da nossa vida aqui na Terra.
Podem perguntar-me: mas como é que posso distinguir a vontade de Deus da minha? No momento presente não é difícil saber qual é a vontade de Deus. Vou-te indicar um caminho. Ouve bem, dentro de ti, uma voz delicada, que muitas vezes sufocamos, e que se torna quase imperceptível. Mas, se a ouvirmos bem: é a voz de Deus (2). Ela diz-nos que aquele é o momento de ir estudar, ou de ajudar quem tem necessidade, ou de trabalhar, ou de vencer uma tentação, ou de cumprir um dever de cristão ou de cidadão. Convida-nos a dar atenção a alguém que nos fala em nome de Deus, ou a enfrentar com coragem situações difíceis... Temos que a ouvir. Não façamos calar essa voz: é o tesouro mais precioso que possuimos. Sigamo-la! E, então, momento a momento, construiremos a nossa história pessoal. É uma história humana e, ao mesmo tempo, divina, porque feita por cada um de nós em colaboração com Deus. Veremos maravilhas. Veremos o que Deus pode fazer numa pessoa que diz, com toda a sua vida:
«Não se faça a minha vontade, mas a Tua».
Chiara Lubich
1) Palavra de Vida, Agosto de 1978. Publicada em Essere la tua Parola. Chiara Lubich e cristiani di tutto il mondo, Roma 1980, pp. 81-84; 2) cf. Jo 18, 37; cf. Ap 3, 20.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008
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