sábado, 1 de junho de 2013

Palavra de Vida - junho

«Se, fazendo o bem, sofreis com paciência, isso é uma coisa meritória diante de Deus» (1 Pe 2, 20).
 
O apóstolo Pedro está a explicar às suas comunidades o espírito genuíno do Evangelho nas suas aplicações concretas, referindo-se de modo particular à condição e ao estado de vida em que cada pessoa se encontra.
Neste trecho dirige-se aos escravos que se converteram à fé, os quais, como todos os escravos na sociedade de então, sofriam incompreensões e maus-tratos, totalmente injustos. Generalizando, estas palavras são dirigidas a todas as pessoas que, em qualquer tempo e lugar, sofrem incompreensões e injustiças por parte dos seus próximos, quer eles sejam seus superiores ou iguais. 

«Se, fazendo o bem, sofreis com paciência, isso é uma coisa meritória diante de Deus».
 
A essas pessoas o apóstolo recomenda que não cedam à reação instintiva que poderia surgir nestas circunstâncias, mas que imitem o comportamento assumido por Jesus. Exorta-as, aliás, a responder com o amor, vendo também nestas dificuldades e incompreensões uma graça, ou seja, uma ocasião permitida por Deus para dar provas do verdadeiro espírito cristão. Além disso, deste modo poderão conduzir para Cristo, com o amor, também aqueles que lhes fazem mal. 

«Se, fazendo o bem, sofreis com paciência, isso é uma coisa meritória diante de Deus».
 
Baseando-se nestas palavras ou noutras semelhantes, há quem acuse o cristianismo de favorecer um excessivo conformismo, que faz adormecer as consciências, tornando-as menos ativas na luta contra as injustiças.
Mas não é assim. Se Jesus nos pede para amarmos até aqueles que não nos compreendem e nos maltratam, não é porque queira que nos tornemos insensíveis às injustiças. Muito pelo contrário! É porque nos quer ensinar como construir uma sociedade realmente justa. Podemos fazê-lo difundindo o espírito do verdadeiro amor, sendo nós os primeiros a amar, a ter a iniciativa.
 
«Se, fazendo o bem, sofreis com paciência, isso é uma coisa meritória diante de Deus».
 
Como viver, então, a Palavra de Vida deste mês?
As formas, através das quais também nós hoje podemos ser incompreendidos e maltratados, são muitas. Vão das indelicadezas e descortesias, aos juízos negativos, às ingratidões, às ofensas, às verdadeiras injustiças.
Pois bem: também em todas estas ocasiões nós devemos dar testemunho do amor, daquele amor para com todos que Jesus trouxe à Terra. Portanto, do amor até para com aqueles que nos tratam mal.
A Palavra deste mês pede que, embora defendamos legitimamente a justiça e a verdade, jamais nos esqueçamos de que o nosso primeiro dever como cristãos é amar os outros, ou seja, ter para com eles aquela disposição nova, feita de compreensão, de acolhimento e de misericórdia, que Jesus teve para conosco. Desta maneira, mesmo que defendamos as nossas ideias, nunca podemos quebrar o bom relacionamento, nunca podemos ceder à tentação do ressentimento ou da vingança.
E, fazendo assim, seremos instrumentos do amor de Jesus, e seremos capazes de conduzir o nosso próximo para Deus.
Chiara Lubich

1) Palavra de Vida publicada em Città Nuova, 1990/8, p. 9.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Palavra de Vida - maio - com desenhos


Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Palavra de Vida - maio

«Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço» (Lc 6, 38).

 maio de 2013 (1)


Nunca te aconteceu receberes uma prenda de um amigo e sentires logo o desejo de lhe retribuir? E de o fazeres não tanto para cumprir uma obrigação, mas por um sentimento de verdadeiro amor e reconhecimento? Tenho a certeza que sim.

Se isto sucede connosco, imagina como será com Deus, com Deus que é Amor.

Ele retribui sempre todas as ofertas que fazemos aos nossos próximos em Seu nome. É uma experiência que os cristãos verdadeiros fazem com muita frequência. E, de cada vez, é sempre uma surpresa. Nunca nos habituamos à imaginação de Deus. Poderia dar-te mil ou dez mil exemplos. Poderia até escrever um livro acerca disso. Verias como é verdadeira aquela imagem: «uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço», que representa a abundância com que Deus retribui, e representa a Sua magnanimidade.

«Já era noite em Roma. No apartamento de uma cave, um pequeno grupo de raparigas, que queriam viver o Evangelho, davam as boas-noites. Nisto, toda a campainha. Quem seria àquela hora? Era um homem, em pânico, desesperado: no dia seguinte ia ser expulso de casa com a família, porque não tinha dinheiro para pagar a renda. As raparigas olharam umas para as outras e, num acordo silencioso, abriram a gavetinha onde, em envelopes separados, tinham guardado o resto dos seus salários e uma reserva para pagar o gás, o telefone e a eletricidade. Deram tudo àquele homem, sem pensar duas vezes. E foram dormir, felizes. Alguém haveria de pensar nelas. Mas ainda o dia não tinha nascido, quando o telefone tocou. “Vou já para aí, num táxi”, disse aquele mesmo homem. Admiradas com o meio de transporte que ia usar, as raparigas ficaram à sua espera. Pela expressão do visitante, qualquer coisa tinha mudado: “Ontem à noite, quando cheguei a casa, encontrei uma carta a comunicar-me uma herança que nunca pensei que fosse receber. O meu coração sugeriu-me logo que vos desse metade do dinheiro”. A quantia era exatamente o dobro daquilo que elas, generosamente, tinham dado». 


«Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço».


Por acaso também já fizeste uma experiência deste género? Se ainda não, lembra-te que a nossa oferta deve ser feita desinteressadamente, a quem quer que nos peça, sem esperar que seja retribuída.

Experimenta. Mas não o faças para ver o resultado, mas só porque amas a Deus.

Vais dizer-me: «Mas eu não tenho nada».

Não é verdade. Se quisermos, temos tesouros imensos e inesgotáveis: o nosso tempo livre, o nosso afeto, o nosso sorriso, o nosso conselho, a nossa cultura, a nossa paz, a nossa palavra para convencer aqueles que podem dar qualquer coisa a quem não tem...

Vais-me dizer ainda: «Mas eu não sei a quem dar».

Olha à tua volta: lembra-te daquele doente no hospital, daquela senhora viúva sempre sozinha, daquele teu colega tão desanimado porque perdeu o ano, daquele jovem desempregado sempre triste, do teu irmãozito que precisa da tua ajuda, daquele amigo que está na cadeia, daquele aprendiz hesitante. É neles que Cristo está à tua espera.

Assume um novo tipo de comportamento, o do cristão – totalmente impregnado de Evangelho –, que é um comportamento anti-egoísta e despreocupado. Renuncia a pôr a tua segurança nos bens da Terra e apoia-te em Deus. Assim é que se vai ver a tua fé n’Ele. E em breve será confirmada, pela oferta que voltarás a receber.

E é lógico que Deus não procede assim para te enriquecer ou para nos enriquecer. Ele faz isso para que outros, muitos outros, ao ver os pequenos milagres que se realizam com o nosso dar, também façam o mesmo.

Ele faz isso para que, quanto mais tivermos, mais possamos dar. Para que – como verdadeiros administradores dos bens de Deus – façamos circular tudo na comunidade que nos rodeia, até que se possa dizer, como se dizia da primeira comunidade de Jerusalém: entre eles não havia nenhum pobre (cf. At 4, 34).

Vais sentir que, assim, contribuis para dar uma segurança interior à revolução social que o mundo espera.

«Dai e ser-vos-á dado». É claro que Jesus estava a pensar, em primeiro lugar, na recompensa que vamos receber no Paraíso. Mas tudo o que acontece nesta Terra é já um prelúdio e uma garantia do Paraíso.


Chiara Lubich



1) Palavra de Vida. Comentário de 1978, publicado em Città Nuova, 1978/10 e 2008/18, p. 9.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Palavra de Vida - abril - adolescentes



Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês, uma síntese ilustrada do comentário de Chiara Lubich. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Palavra de Vida - abril - com desenhos


Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.

Palavra de Vida - abril

«Não vos queixeis uns dos outros, irmãos» (Tg 5, 9).

Para compreender melhor a Palavra de Vida que nos é proposta este mês, é necessário recordar as circunstâncias que a motivaram. Verificavam-se alguns atritos nas comunidades cristãs às quais é dirigida a Carta do apóstolo Tiago. Tratava-se de escândalos, de discriminações sociais, de um uso egoísta da riqueza, da exploração dos operários, de uma fé feita mais de palavras do que de obras, etc. Tudo isto dava origem a ressentimentos e críticas de uns contra os outros, criando um clima de mal-estar em toda a comunidade. 

«Não vos queixeis uns dos outros, irmãos».
 
Portanto, já no tempo dos apóstolos se notava aquilo que também hoje se vê nas nossas comunidades. Os maiores obstáculos para praticar a nossa fé muitas vezes não vêm de fora, ou seja, do mundo, mas nascem internamente, de certas situações na própria comunidade e de comportamentos dos nossos irmãos não conformes ao ideal cristão. E isto provoca uma sensação de mal-estar, de desconfiança e de desânimo. 

«Não vos queixeis uns dos outros, irmãos».
 
Todavia, se todas estas contradições e incoerências, mais ou menos graves, têm a sua raiz numa fé nem sempre iluminada e num amor a Deus e ao próximo ainda muito imperfeito, a primeira reação do cristão não deverá ser a impaciência e a intransigência, mas deve ser aquela que Jesus ensina. Ele pede uma espera paciente, a compreensão e a misericórdia, que favorece o desenvolvimento da semente de Bem que foi plantada em nós, como explica a parábola do trigo e do joio (Mt 13, 24-30.36-43).
  
«Não vos queixeis uns dos outros, irmãos».
 
Como viver, então, a Palavra de Vida deste mês? Ela coloca-nos diante de um aspeto difícil da vida cristã. Também nós fazemos parte de várias comunidades (a família, a paróquia, a associação, o ambiente de trabalho, a comunidade civil), onde infelizmente podem existir muitas coisas que a nosso ver não estão certas: temperamentos, modos de ver, comportamentos de pessoas, incoerências que nos fazem sofrer e suscitam em nós reações de rejeição.
Temos, então, muitas ocasiões para viver bem a Palavra de Vida deste mês. Em vez da murmuração ou da condenação – como seríamos tentados a fazer –, usaremos a tolerância e a compreensão. Depois, dentro do possível, também a correção fraterna. E, sobretudo, daremos um testemunho cristão, respondendo às eventuais faltas de amor ou de empenho, com um maior amor e empenho da nossa parte.   
                                                                                             
Chiara Lubich

1) Palavra de Vida publicada em Città Nuova, 1989/22, p. 9.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Palavra de Vida - março - adolescentes


Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês, uma síntese ilustrada do comentário de Chiara Lubich. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.