sábado, 1 de dezembro de 2012

Palavra de Vida - dezembro

«A quantos O receberam, (…) deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12)

Escrita em 1998 (1)
Esta é a grande novidade que Jesus anunciou e ofereceu à humanidade: a filiação divina. Tornar-se filhos de Deus mediante a graça.
Mas como e a quem é dada esta graça? «A quantos O receberam» e a quantos O hão de receber ao longo dos séculos. É preciso recebê-Lo na fé e no amor, acreditando em Jesus como nosso Salvador.
Mas tentemos compreender mais profundamente o que significa ser filhos de Deus.
Basta observar Jesus, o Filho de Deus, e a sua relação com o Pai: Jesus invocava o seu Pai como no “Pai-Nosso”. Para ele o Pai era “Abbá”, ou seja, o paizinho, o papá, a quem se dirigia com tons de infinita confidência e de extremo amor.
Mas, já que tinha vindo à Terra por nossa causa, não se limitou a estar só Ele nessa condição privilegiada. Ao morrer por nós, redimindo-nos, tornou-nos filhos de Deus, seus irmãos e suas irmãs, e deu-nos, também a nós, mediante o Espírito Santo, a possibilidade de sermos introduzidos no seio da Trindade. De maneira que também nós podemos usar aquela Sua divina invocação: «Abbá, Pai!» (2), ou seja, “papá, meu paizinho”, nosso paizinho, com tudo o que isso representa: certeza da sua proteção, segurança, abandono no seu amor, consolações divinas, força, ardor. O ardor que nasce no coração de quem tem a certeza de ser amado.

«A quantos O receberam, (…) deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus».

Aquilo que nos une a Cristo e nos faz ser, com Ele, filhos no Filho é o batismo e a vida da graça que recebemos com o batismo.
Nesta passagem do Evangelho está também referido o dinamismo profundo desta “filiação”, que se deve atuar dia após dia. Com efeito, é necessário «tornar-se filhos de Deus».
Tornamo-nos, crescemos como filhos de Deus, quando correspondemos à Sua oferta, vivendo a Sua vontade, que está toda concentrada no mandamento do amor: amor a Deus e amor ao próximo.
Receber Jesus significa, pois, reconhecê-Lo em todos os nossos próximos. E também eles poderão ter a oportunidade de reconhecer Jesus e de acreditar n’Ele se, no amor que lhes demonstrarmos, descobrirem uma parcela, uma centelha do amor infinito do Pai.

«A quantos O receberam, (…) deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus».

Neste mês, em que recordamos, de modo especial, o nascimento de Jesus nesta Terra, procuremos aceitar-nos reciprocamente, vendo e servindo o próprio Cristo uns nos outros.
E então uma corrente de amor recíproco, de conhecimento e de vida, como a que liga o Filho ao Pai no Espírito, se instaurará também entre nós e o Pai, e sentiremos aflorar sempre e de novo nos nossos lábios a invocação de Jesus: «Abbá, Pai». 

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 1998/22, p. 37; 2) Mc 14, 36 – Rm 8, 15.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Desafio de novembro



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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Palavra de Vida - novembro - com fotografias


Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.

Palavra de Vida - novembro - com desenhos

Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.


Palavra de Vida - novembro


«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14, 23).

 Escrita em 2001 (1)
Esta frase faz parte de um dos grandes e intensos discursos de despedida que Jesus faz aos apóstolos. Jesus promete-lhes, aliás, que o voltariam a ver, porque Ele se haveria de manifestar àqueles que o amam.
Judas (não o Iscariotes) pergunta-Lhe então porque é que se iria manifestar só a eles e não em público. O discípulo gostava de uma grande manifestação externa de Jesus, que poderia mudar a História e seria mais útil – na sua opinião – para a salvação do mundo. De facto, os apóstolos pensavam que Jesus era o tão esperado profeta dos últimos tempos, que haveria de aparecer, revelando-se diante de todos como o Rei de Israel e, colocando-se à frente do povo de Deus, instauraria definitivamente o Reino do Senhor.
Mas Jesus responde que a sua manifestação não iria dar-se de modo espetacular e externo. Seria uma simples, extraordinária “vinda” da Trindade ao coração dos fiéis, que se realiza onde existir fé e amor.
Com esta resposta, Jesus esclarece de que modo ficará presente no meio dos seus, depois da Sua morte, e explica como será possível estar em contacto com Ele. 

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».
 
Portanto, Jesus pode estar presente, desde já, nos cristãos e no meio da comunidade. Não é preciso esperar pelo futuro. O templo que contém esta Sua presença não é tanto aquele feito de paredes, mas o próprio coração do cristão, que se torna, deste modo, o novo tabernáculo, a morada viva da Santíssima Trindade.

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».
 
Mas como pode o cristão chegar a tanto? Como pode trazer em si o próprio Deus? Qual o caminho para entrar nesta profunda comunhão com Ele?
É o amor por Jesus.
Um amor que não é mero sentimentalismo, mas que se traduz em vida concreta e, mais precisamente, em seguir a Sua Palavra.
É a este amor do cristão, verificado pelos factos, que Deus responde com o Seu amor: a Trindade vem habitar nele.

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».

«… há de guardar a minha palavra».
E quais são as palavras que o cristão é chamado a guardar?
No Evangelho de João “as minhas palavras” são muitas vezes sinónimo de “os meus mandamentos”. Portanto, o cristão é chamado a guardar os mandamentos de Jesus. Mas estes não devem ser entendidos apenas como um catálogo de leis. É preciso, sobretudo, vê-los todos sintetizados no mandamento que Jesus ilustrou com o lava-pés: o mandamento do amor recíproco. Deus manda a cada cristão amar o outro até à oferta total de si mesmo, como Jesus ensinou e fez.

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».

E, então, como viver bem esta Palavra? Como chegar ao ponto que o próprio Pai nos vai amar e a Trindade fará morada em nós?
Pondo em prática, com todo o nosso coração, com radicalidade e perseverança, precisamente, o amor recíproco entre nós.
É nisto, principalmente, que o cristão encontra também o caminho daquela profunda ascética cristã que o Crucificado exige dele. De facto, é com o amor recíproco que florescem no seu coração as várias virtudes e é com este amor que ele pode corresponder ao chamamento da sua santificação pessoal.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 2001/8, p. 7.


sábado, 6 de outubro de 2012

Palavra de Vida - outubro - com desenhos

Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Palavra de Vida - outubro

«Porque Tu o dizes, lançarei as redes» (Lc 5, 5)

Escrita em 1983 (1)
 Quando acabou de ensinar, sentado no barco de Simão, Jesus disse a ele e aos seus companheiros para lançarem as redes ao mar. Simão, depois de afirmar que durante toda a noite tinham trabalhado em vão, acrescentou: «Porque Tu o dizes, lançarei as redes».
E, lançando as redes, estas ficaram de tal modo cheias de peixe que se iam rompendo. Vieram então alguns companheiros ajudá-lo e também eles encheram os seus barcos a ponto de quase se afundarem. Simão, estupefacto – como também Tiago e João, seus companheiros –, ­lançou-se então aos pés de Jesus, pedindo-lhe que se afastasse dele, que era pecador. Mas Jesus disse-lhe para não temer: a partir daquele momento tornar-se-ia pescador de homens E, no mesmo instante, Simão, Tiago e João tornaram-se seus discípulos.
Este é o episódio da pesca milagrosa, que simboliza a futura missão dos Apóstolos. O comportamento de Pedro é modelo, não só para os outros Apóstolos e para aqueles que lhe sucederam, mas também para cada cristão.

 «Porque Tu o dizes, lançarei as redes».

 Depois de uma noite infrutífera, Pedro, especialista em pesca, pode­ria ter sorrido e recusado aceitar o convite de Jesus a lançar as redes de dia, o momento menos adequado. Pelo contrário, passando por cima do seu modo de pensar, confiou em Jesus.
Esta é uma situação típica pela qual também hoje cada crente, precisa­mente por ser crente, é chamado a passar. De facto, a sua fé é posta à prova de mil maneiras.
Seguir Cristo significa decisão, empenho e perseverança, ao passo que, neste mundo em que vivemos, tudo parece convidar ao relaxamento, à mediocridade, ao “deixar andar”. A tarefa parece demasiado grande, impossível de alcançar, e, já à partida, desti­nada a fracassar.
É preciso, então, ter a força de ir em frente, de resistir ao ambiente, ao contexto social, aos amigos, aos media.
É uma dura prova a combater dia após dia, ou melhor, hora após hora.
Mas, se a enfrentarmos e a aceitarmos, ela poderá servir para nos fazer amadurecer como cristãos, para nos fazer experimentar que as extraordinárias palavras de Jesus são verdadeiras, que as Suas pro­messas se realizam, que se pode iniciar na vida uma aventura divina muito mais fascinante do que todas as outras que possamos imaginar. Podemos ser testemunhas, por exemplo, de que – enquanto no mundo a vida é, muitas vezes, penosa, monótona e infrutífera – Deus enche de bens quem O segue: dá o cêntuplo nesta vida, além da vida eterna. É a pesca milagrosa que se renova. 

 «Porque Tu o dizes, lançarei as redes».

 Como pôr em prática, então, esta Palavra?
Fazendo também nós a escolha de Pedro: «Porque Tu o “dizes”...». Ter confiança na Sua Palavra, nunca duvidar daquilo que Ele pede. Pelo contrário: basear o nosso comportamento, a nossa atividade, a nossa vida na Sua Palavra.
A nossa existência colocará os seus alicerces no que há de mais sólido e seguro. Iremos contemplar estupefactos que, precisamente quando todas as forças humanas escasseiam, Ele intervém. E que ali, onde humanamente é impossível, nasce a Vida.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 1983/2, pp. 40-41.