quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Palavra de Vida - novembro - com fotografias


Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.

Palavra de Vida - novembro - com desenhos

Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.


Palavra de Vida - novembro


«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14, 23).

 Escrita em 2001 (1)
Esta frase faz parte de um dos grandes e intensos discursos de despedida que Jesus faz aos apóstolos. Jesus promete-lhes, aliás, que o voltariam a ver, porque Ele se haveria de manifestar àqueles que o amam.
Judas (não o Iscariotes) pergunta-Lhe então porque é que se iria manifestar só a eles e não em público. O discípulo gostava de uma grande manifestação externa de Jesus, que poderia mudar a História e seria mais útil – na sua opinião – para a salvação do mundo. De facto, os apóstolos pensavam que Jesus era o tão esperado profeta dos últimos tempos, que haveria de aparecer, revelando-se diante de todos como o Rei de Israel e, colocando-se à frente do povo de Deus, instauraria definitivamente o Reino do Senhor.
Mas Jesus responde que a sua manifestação não iria dar-se de modo espetacular e externo. Seria uma simples, extraordinária “vinda” da Trindade ao coração dos fiéis, que se realiza onde existir fé e amor.
Com esta resposta, Jesus esclarece de que modo ficará presente no meio dos seus, depois da Sua morte, e explica como será possível estar em contacto com Ele. 

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».
 
Portanto, Jesus pode estar presente, desde já, nos cristãos e no meio da comunidade. Não é preciso esperar pelo futuro. O templo que contém esta Sua presença não é tanto aquele feito de paredes, mas o próprio coração do cristão, que se torna, deste modo, o novo tabernáculo, a morada viva da Santíssima Trindade.

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».
 
Mas como pode o cristão chegar a tanto? Como pode trazer em si o próprio Deus? Qual o caminho para entrar nesta profunda comunhão com Ele?
É o amor por Jesus.
Um amor que não é mero sentimentalismo, mas que se traduz em vida concreta e, mais precisamente, em seguir a Sua Palavra.
É a este amor do cristão, verificado pelos factos, que Deus responde com o Seu amor: a Trindade vem habitar nele.

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».

«… há de guardar a minha palavra».
E quais são as palavras que o cristão é chamado a guardar?
No Evangelho de João “as minhas palavras” são muitas vezes sinónimo de “os meus mandamentos”. Portanto, o cristão é chamado a guardar os mandamentos de Jesus. Mas estes não devem ser entendidos apenas como um catálogo de leis. É preciso, sobretudo, vê-los todos sintetizados no mandamento que Jesus ilustrou com o lava-pés: o mandamento do amor recíproco. Deus manda a cada cristão amar o outro até à oferta total de si mesmo, como Jesus ensinou e fez.

«Se alguém Me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada».

E, então, como viver bem esta Palavra? Como chegar ao ponto que o próprio Pai nos vai amar e a Trindade fará morada em nós?
Pondo em prática, com todo o nosso coração, com radicalidade e perseverança, precisamente, o amor recíproco entre nós.
É nisto, principalmente, que o cristão encontra também o caminho daquela profunda ascética cristã que o Crucificado exige dele. De facto, é com o amor recíproco que florescem no seu coração as várias virtudes e é com este amor que ele pode corresponder ao chamamento da sua santificação pessoal.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 2001/8, p. 7.


sábado, 6 de outubro de 2012

Palavra de Vida - outubro - com desenhos

Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Palavra de Vida - outubro

«Porque Tu o dizes, lançarei as redes» (Lc 5, 5)

Escrita em 1983 (1)
 Quando acabou de ensinar, sentado no barco de Simão, Jesus disse a ele e aos seus companheiros para lançarem as redes ao mar. Simão, depois de afirmar que durante toda a noite tinham trabalhado em vão, acrescentou: «Porque Tu o dizes, lançarei as redes».
E, lançando as redes, estas ficaram de tal modo cheias de peixe que se iam rompendo. Vieram então alguns companheiros ajudá-lo e também eles encheram os seus barcos a ponto de quase se afundarem. Simão, estupefacto – como também Tiago e João, seus companheiros –, ­lançou-se então aos pés de Jesus, pedindo-lhe que se afastasse dele, que era pecador. Mas Jesus disse-lhe para não temer: a partir daquele momento tornar-se-ia pescador de homens E, no mesmo instante, Simão, Tiago e João tornaram-se seus discípulos.
Este é o episódio da pesca milagrosa, que simboliza a futura missão dos Apóstolos. O comportamento de Pedro é modelo, não só para os outros Apóstolos e para aqueles que lhe sucederam, mas também para cada cristão.

 «Porque Tu o dizes, lançarei as redes».

 Depois de uma noite infrutífera, Pedro, especialista em pesca, pode­ria ter sorrido e recusado aceitar o convite de Jesus a lançar as redes de dia, o momento menos adequado. Pelo contrário, passando por cima do seu modo de pensar, confiou em Jesus.
Esta é uma situação típica pela qual também hoje cada crente, precisa­mente por ser crente, é chamado a passar. De facto, a sua fé é posta à prova de mil maneiras.
Seguir Cristo significa decisão, empenho e perseverança, ao passo que, neste mundo em que vivemos, tudo parece convidar ao relaxamento, à mediocridade, ao “deixar andar”. A tarefa parece demasiado grande, impossível de alcançar, e, já à partida, desti­nada a fracassar.
É preciso, então, ter a força de ir em frente, de resistir ao ambiente, ao contexto social, aos amigos, aos media.
É uma dura prova a combater dia após dia, ou melhor, hora após hora.
Mas, se a enfrentarmos e a aceitarmos, ela poderá servir para nos fazer amadurecer como cristãos, para nos fazer experimentar que as extraordinárias palavras de Jesus são verdadeiras, que as Suas pro­messas se realizam, que se pode iniciar na vida uma aventura divina muito mais fascinante do que todas as outras que possamos imaginar. Podemos ser testemunhas, por exemplo, de que – enquanto no mundo a vida é, muitas vezes, penosa, monótona e infrutífera – Deus enche de bens quem O segue: dá o cêntuplo nesta vida, além da vida eterna. É a pesca milagrosa que se renova. 

 «Porque Tu o dizes, lançarei as redes».

 Como pôr em prática, então, esta Palavra?
Fazendo também nós a escolha de Pedro: «Porque Tu o “dizes”...». Ter confiança na Sua Palavra, nunca duvidar daquilo que Ele pede. Pelo contrário: basear o nosso comportamento, a nossa atividade, a nossa vida na Sua Palavra.
A nossa existência colocará os seus alicerces no que há de mais sólido e seguro. Iremos contemplar estupefactos que, precisamente quando todas as forças humanas escasseiam, Ele intervém. E que ali, onde humanamente é impossível, nasce a Vida.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 1983/2, pp. 40-41.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Palavra de Vida - setembro - com fotografias

Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.

sábado, 1 de setembro de 2012

Palavra de Vida - setembro

«Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna»  
(Jo 4, 13-14).

A conversa de Jesus com a Samaritana, perto do poço de Jacob, é uma verdadeira pérola do Evangelho. Jesus fala da água como o elemento mais simples, mas que, no fundo, é o mais desejado e mais vital para quem está em contacto com o deserto. Jesus não precisava de dar muitas explicações para fazer compreender o que significava a água.
A água da fonte serve para a nossa vida natural, ao passo que a água viva, de que Jesus fala, serve para a vida eterna.
Tal como o deserto só floresce depois de uma chuva abundante, também as sementes sepultadas em nós desde o Baptismo só podem germinar se forem regadas com a Palavra de Deus. Então a planta cresce, dá novos rebentos e ganha a forma de uma árvore ou de uma lindíssima flor. E tudo isso porque recebe a água viva da Palavra que faz surgir a vida e a mantém para a eternidade. 

«Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna».
 
As palavras de Jesus são dirigidas a todos nós, que andamos sedentos neste mundo. São para aqueles que têm consciência da sua aridez espiritual e ainda sentem a pungência da sede, e também para aqueles que já nem sequer sentem a necessidade de ir beber à fonte da verdadeira vida, nem aos grandes valores da humanidade.
Mas, afinal, Jesus dirige um convite a todos os homens e mulheres de agora, revelando onde podemos encontrar a resposta para as nossas inquietações, e a satisfação total dos nossos desejos.
Todos nós, então, só temos que ir beber às Suas Palavras e deixar­-nos embeber pela Sua mensagem.
De que modo?
Reevangelizando a nossa vida, confrontando-a com as Suas Palavras, procurando pensar com o pensamento de Jesus e amar com o Seu coração. Cada momento em que procuramos viver o Evangelho é como se bebêssemos uma gota daquela água viva. Cada gesto de amor para com o nosso próximo é um gole daquela água.
Sim, porque aquela água tão viva e preciosa tem isto de especial: torna-se uma fonte no nosso coração todas as vezes que vivemos o amor para com todos. A fonte de Deus é uma fonte que oferece água, na medida em que o seu veio profundo servir para saciar a sede aos outros, com pequenos ou grandes gestos de amor. 

«Todo aquele que bebe desta água voltará a ter sede; mas, quem beber da água que Eu lhe der, nunca mais terá sede: a água que eu lhe der há de tornar-se nele em fonte de água que dá a vida eterna».
 
Portanto, compreendemos que, para não sofrermos a sede, te­mos que oferecer aos outros a água viva que formos buscar a Ele em nós mesmos. Bastará uma palavra, um sorriso, um simples gesto de solidariedade, para voltarmos a dar, a nós mesmos, uma sensação de plenitude, de satisfação profunda, um jorro de alegria. E, se continuarmos a dar, esta fonte de paz e de vida fará nascer, em nós, água com uma abundância cada vez maior, sem nunca se secar.
E há também um outro segredo que Jesus nos revelou, uma espécie de poço sem fundo aonde podemos ir beber. Quando dois ou três se unirem no Seu nome, amando-se com o mesmo amor de Jesus, Ele está no meio deles (2). E é então que nos sentimos livres, unidos, cheios de luz, e veremos correr rios de água viva do nosso coração (3). É a promessa de Jesus que se realiza, porque é d’Ele mesmo, presente no meio de nós, que jorra a água que sacia a sede por toda a eternidade.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 2002/4, p.7; 2) cf. Mt 18, 20; 3) cf. Jo 7, 38.