segunda-feira, 4 de junho de 2012

Palavra de Vida - junho - com desenhos

Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Palavra de Vida - junho


Escrita em 1985 (1)

«Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará» (Jo 6, 27).

Depois de ter dado de comer às multidões com a multiplicação dos pães, perto do lago de Tiberíades, Jesus tinha-Se transferido em segredo para a outra margem, na zona de Cafarnaum, para Se ocultar da multidão que O queria fazer rei. Mesmo assim, muitas pessoas tinham começado a procurá-Lo e tinham-No encontrado. Mas Jesus não aceita o seu entusiasmo demasiado interesseiro. Eles tinham comido o pão milagroso, mas detiveram-se na mera dádiva material sem compreenderem o significado profundo daquele pão. Através do pão, Jesus revela-se como o enviado do Pai, para dar a verdadeira vida ao mundo. Mas eles veem em Jesus apenas um taumaturgo, um Messias terreno, capaz de lhes arranjar o alimento material em abundância e a bom preço. É neste contexto que Jesus lhes dirige a palavra:

«Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará».

O “alimento que não desaparece” é a própria pessoa de Jesus e é também o Seu ensinamento, uma vez que o ensinamento de Jesus é uma coisa só com a Sua pessoa. E, lendo mais à frente outras palavras de Jesus, verifica-se que este “pão que não desaparece” se identifica também com o corpo eucarístico de Jesus. Pode então dizer-se que o “pão que não desaparece” é Jesus em pessoa. É Ele que Se doa a nós na Sua Palavra e na Eucaristia.

«Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará».

A imagem do pão surge frequentemente na Bíblia, como aliás a da água. O pão e a água representam os alimentos primários, indispensáveis para a vida do homem. Ora, Jesus, aplicando a Si mesmo a imagem do pão, quer dizer que a Sua pessoa, o Seu ensinamento, são indispensáveis para a vida espiritual do homem, tal como o pão é indispensável para a vida do corpo.
O pão material é, sem dúvida, necessário. O próprio Jesus o distribui milagrosamente às multidões. Mas só por si não basta. O homem traz em si mesmo – talvez sem se dar perfeitamente conta disso – uma fome de verdade, de justiça, de bondade, de amor, de pureza, de luz, de paz, de alegria, de infinito, de eterno, que nada neste mundo é capaz de satisfazer. Jesus propõe-se a Si mesmo como Aquele que é o único capaz de saciar a fome interior de cada pessoa.

«Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará».

Mas, ao apresentar-se como o “pão de vida”, Jesus não se limita a afirmar a necessidade de nos nutrirmos d’Ele, isto é, que é necessário acreditar nas Suas Palavras para termos a vida eterna. Jesus quer impelir-nos a fazer a experiência d’Ele. Na verdade, Ele, com a Palavra: «Trabalhai pelo alimento que não desaparece», faz um insistente convite. Diz que é necessário arregaçar as mangas, pôr em ação todos os meios possíveis para obter este alimento. Jesus não se impõe, mas quer ser descoberto, quer ser experimentado.
Claro que o homem, só com as suas forças, não é capaz de atingir Jesus. Só o pode fazer por uma graça de Deus. Todavia, Jesus convida continuamente o homem a dispor-se para aceitar a dádiva de Si mesmo, que Jesus lhe quer fazer. E é precisamente esforçando-se por pôr em prática a Sua Palavra, que o homem chega à fé plena n’Ele. Chega a saborear a Sua Palavra, como quem saboreia um pão fresco e apetitoso.

«Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará».

A Palavra deste mês não tem por objetivo um ponto especial do ensinamento de Jesus (como, por exemplo, o perdão das ofensas, o desapego das riquezas, etc.), mas reconduz-nos à própria raiz da vida cristã, que é a nossa relação pessoal com Jesus.
Penso que quem começou a viver com empenho a Sua Palavra e, sobretudo, o mandamento do amor ao próximo, síntese de todas as palavras de Deus e de todos os mandamentos, verifica, pelo menos um pouco, que Jesus é o “pão” da sua vida, capaz de saciar os desejos do seu coração. É a fonte da sua alegria, da sua luz. Pondo-a em prática, já chegou a saborear a Palavra, ao menos um pouco, como a verdadeira resposta para os problemas da humanidade e do mundo. E, dado que Jesus “pão da vida” faz a oferta suprema de Si mesmo na Eucaristia, vai espontaneamente receber com amor a Eucaristia, que ocupa um lugar importante na sua vida.
É necessário, então, que aqueles de nós que fizeram esta estupenda experiência, com o mesmo zelo com que Jesus incita a trabalhar pelo “pão da vida”, não guarde para si a sua descoberta, mas a comunique a outros, para que muitos encontrem em Jesus aquilo que desde sempre procuraram. É um ato de amor enorme que podemos fazer aos outros, para que também eles possam conhecer o que é a verdadeira vida, já nesta Terra, e tenham a vida que não morre. E que mais se poderá desejar?

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 1985/14, pp. 10-11.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Palavra de Vida - maio - com desenhos


Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Palavra de Vida - maio

«Eu vim lançar fogo sobre a Terra; e como gostaria que ele já estivesse aceso!» (Lc 12, 49).

Escrita em 2001 (1)

No Antigo Testamento, o fogo é o símbolo da Palavra de Deus, pronunciada pelo profeta. Mas simboliza também o julgamento divino, que irá purificar o seu povo, quando passar no meio dele.
Assim é a Palavra de Jesus: constrói, mas, ao mesmo tempo, destrói o que não tem consistência, o que deve cair, o que é vaidade, para deixar de pé unicamente a verdade.
João Batista tinha dito acerca d’Ele: «Ele há de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo» (2). É o anúncio antecipado do batismo cristão, inaugurado no dia do Pentecostes com a efusão do Espírito Santo e o aparecimento das línguas de fogo (3).
Portanto, é esta a missão de Jesus: lançar fogo sobre a Terra, trazer o Espírito Santo com a sua força renovadora e purificadora.

«Eu vim lançar fogo sobre a Terra; e como gostaria que ele já estivesse aceso!».

Jesus dá-nos o Espírito. Mas de que modo atua o Espírito Santo?
Ele atua derramando em nós o amor. Um amor que nós, segundo o Seu desejo, devemos manter aceso nos nossos corações.
E como é esse amor?
Não é como o amor terreno, que é limitado. É o amor evangélico. Por isso, é universal, como é o amor do Pai celeste, que manda a chuva e o sol sobre todos, sobre os bons e sobre os maus, incluindo os inimigos.
É um amor que nunca pretende nada dos outros, mas toma sempre a iniciativa: é o primeiro a amar.
É um amor que se “faz um” com cada pessoa que encontra: sofre com ela, alegra-se com ela, preocupa-se com ela e tem, com ela, esperança. Sempre que necessário, demonstra-o de modo concreto, com factos. Portanto, não é simplesmente um amor sentimental, ou feito só de palavras.
É um amor através do qual se ama Cristo em cada irmão ou irmã, recordando as Suas palavras: «Foi a mim que o fizestes» (4).
Além disso, é um amor que tende à reciprocidade, para realizar, com os outros, o amor recíproco.
É este amor que – sendo uma expressão visível e concreta da nossa vida evangélica – sublinha e dá valor às palavras que, a seguir, poderemos e deveremos usar para evangelizar.

«Eu vim lançar fogo sobre a Terra; e como gostaria que ele já estivesse aceso!».

O amor é como um fogo. O importante é que permaneça aceso. E, para estar aceso, tem de queimar sempre qualquer coisa. Antes de mais, pode queimar o nosso eu egoísta. E isso é possível porque, quando amamos, estamos totalmente projetados no outro: ou em Deus, fazendo a Sua vontade; ou no próximo, ajudando-o.
Todo o fogo aceso, mesmo que seja pequeno, se for alimentado, pode transformar-se num grande incêndio. No incêndio de amor, de paz, de fraternidade universal que Jesus trouxe à Terra.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 2001/14, p. 37; 2) Lc 3, 16; 3) cf. At 2, 3; 4) Mt 25, 40.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Palavra de Vida - abril - com fotografias


Para os mais jovens aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com fotografias. Pode fazer-se o download para o computador ou clicar em cima para ver a imagem maior.

Palavra de Vida - abril - com desenhos


Para as crianças aqui fica a Palavra de Vida deste mês - adaptação ao comentário de Chiara Lubich - ilustrada com desenhos. Pode fazer-se o download para o computador, para imprimir e pintar ou clicar em cima para ver a imagem maior.

domingo, 1 de abril de 2012

Palavra de Vida - abril


«Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado»  
(Jo 15, 3).

Penso que, quando ouviram de Jesus esta palavra decidida de encorajamento, o coração dos discípulos estremeceu de alegria.
Como seria maravilhoso se Jesus pudesse dirigi-la também a nós!
Para sermos um pouco dignos dela, procuremos compreendê-la.
Jesus tinha acabado de fazer a famosa comparação da videira e das varas. Ele é a verdadeira videira, o Pai é o agricultor, que corta as varas que não dão fruto e poda todas as varas que dão fruto, para que dêem mais fruto.
Depois de explicar isto, Ele afirma:

«Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».

«Já estais purificados...». De que pureza se trata?
É aquela disposição de ânimo necessária para estar diante de Deus, aquela ausência de obstáculos (como o pecado, por exemplo) que se opõem ao contacto com o sacro e ao encontro com o divino.
Para ter esta pureza é necessária urna ajuda do Alto.
Já no Antigo Testamento o homem tinha tomado consciência da sua incapacidade de se aproximar de Deus apenas com as suas próprias forças. Era necessário que Deus lhe purificasse o coração, lhe desse um coração novo.
Há um Salmo lindíssimo que diz: «Cria em mim, ó Deus, um coração puro» (2).

«Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».

Segundo Jesus, existe um meio para se ser puro: é a Sua Palavra. Aquela Palavra que os discípulos ouviram, e à qual aderiram, purificou-os.
A Palavra de Jesus, na verdade, não é como as palavras humanas. Nela está presente Cristo tal como, de outro modo, está presente na Eucaristia. Por meio dela, Cristo entra em nós. Aceitando-a, pondo-a em prática, faz-se com que Cristo nasça e cresça no nosso coração.
Paulo VI dizia: «Como é que Jesus se torna presente nas almas? Através da comunicação da Palavra passa o pensamento divino, passa o Verbo, o Filho de Deus feito Homem. Poder-se-ia afirmar que o Senhor Se encarna dentro de nós, quando aceitamos que a Palavra venha viver dentro de nós» (3).

«Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».

A Palavra de Jesus é também comparada a uma semente lançada no íntimo do crente. Quando é recebida, ela penetra em cada pessoa e, como uma semente, desenvolve-se, cresce, dá fruto, “cristifica”, tornando-nos semelhantes a Cristo.
Quando é interiorizada pelo Espírito, a Palavra tem realmente a capacidade e a força de manter o cristão afastado do mal: enquanto deixar agir em si a Palavra, ele estará livre do pecado, e, portanto, é puro. Pecará só se deixar de obedecer à verdade.

«Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».

Como devemos viver, então, para merecermos também nós o elogio de Jesus?
Pondo em prática cada Palavra de Deus, nutrindo-nos dela, momento após momento. Fazendo da nossa existência uma obra de contínua reevangelização. Deste modo podemos chegar a ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, para O revivermos no mundo, para mostrarmos à sociedade – muitas vezes enredada no visco do mal e do pecado – a pureza divina, a transparência que o Evangelho dá.
Durante este mês, ainda, se for possível (isto é, se as nossas intenções forem partilhadas por outros), procuremos pôr em prática, de modo especial, a Palavra que exprime o mandamento do amor recíproco. Na verdade, para João evangelista – que refere a frase de Jesus que hoje consideramos – existe uma ligação entre a Palavra de Cristo e o mandamento novo.
Segundo ele, é no amor recíproco que se vive a Palavra com os seus efeitos de purificação, de santidade, de impecabilidade, de fruto, de proximidade com Deus. O indivíduo isolado é incapaz de resistir durante muito tempo às solicitações do mundo, ao passo que, no amor recíproco, encontra um ambiente são, onde pode proteger a sua existência cristã autêntica.

Chiara Lubich

1) Publicada em Città Nuova, 1982/8, pp. 42-42; 2) Sl 51, 12; 3) Insegnamenti di Paolo VI, V, Cidade do Vaticano 1967, p. 936.