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segunda-feira, 2 de abril de 2012
Palavra de Vida - abril - com fotografias
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Palavra de Vida - abril - com desenhos
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domingo, 1 de abril de 2012
Palavra de Vida - abril
«Vós já estais purificados pela
palavra que vos tenho anunciado»
(Jo 15, 3).
Penso que, quando ouviram
de Jesus esta palavra decidida de encorajamento, o coração dos discípulos
estremeceu de alegria.
Como seria maravilhoso se
Jesus pudesse dirigi-la também a nós!
Para sermos um pouco dignos
dela, procuremos compreendê-la.
Jesus tinha acabado de
fazer a famosa comparação da videira e das varas. Ele é a verdadeira videira, o
Pai é o agricultor, que corta as varas que não dão fruto e poda todas as varas
que dão fruto, para que dêem mais fruto.
Depois de explicar isto,
Ele afirma:
«Vós
já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».
«Já estais purificados...».
De que pureza se trata?
É aquela disposição de ânimo
necessária para estar diante de Deus, aquela ausência de obstáculos (como o pecado,
por exemplo) que se opõem ao contacto com o sacro e ao encontro com o divino.
Para ter esta pureza é
necessária urna ajuda do Alto.
Já no Antigo Testamento o
homem tinha tomado consciência da sua incapacidade de se aproximar de Deus
apenas com as suas próprias forças. Era necessário que Deus lhe purificasse o
coração, lhe desse um coração novo.
Há um Salmo lindíssimo que
diz: «Cria em mim, ó Deus, um coração puro» (2).
«Vós
já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».
Segundo Jesus, existe um
meio para se ser puro: é a Sua Palavra. Aquela Palavra que os discípulos
ouviram, e à qual aderiram, purificou-os.
A Palavra de Jesus, na verdade,
não é como as palavras humanas. Nela está presente Cristo tal como, de outro
modo, está presente na Eucaristia. Por meio dela, Cristo entra em nós.
Aceitando-a, pondo-a em prática, faz-se com que Cristo nasça e cresça no nosso
coração.
Paulo VI dizia: «Como é
que Jesus se torna presente nas almas? Através da comunicação da Palavra passa
o pensamento divino, passa o Verbo, o Filho de Deus feito Homem. Poder-se-ia
afirmar que o Senhor Se encarna dentro de nós, quando aceitamos que a Palavra
venha viver dentro de nós» (3).
«Vós
já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».
A Palavra de Jesus é
também comparada a uma semente lançada no íntimo do crente. Quando é recebida, ela
penetra em cada pessoa e, como uma semente, desenvolve-se, cresce, dá fruto,
“cristifica”, tornando-nos semelhantes a Cristo.
Quando é interiorizada
pelo Espírito, a Palavra tem realmente a capacidade e a força de manter o
cristão afastado do mal: enquanto deixar agir em si a Palavra, ele estará livre
do pecado, e, portanto, é puro. Pecará só se deixar de obedecer à verdade.
«Vós
já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado».
Como devemos viver, então,
para merecermos também nós o elogio de Jesus?
Pondo em prática cada
Palavra de Deus, nutrindo-nos dela, momento após momento. Fazendo da nossa
existência uma obra de contínua reevangelização. Deste modo podemos chegar a
ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, para O revivermos no mundo,
para mostrarmos à sociedade – muitas vezes enredada no visco do mal e do pecado
– a pureza divina, a transparência que o Evangelho dá.
Durante este mês, ainda,
se for possível (isto é, se as nossas intenções forem partilhadas por outros),
procuremos pôr em prática, de modo especial, a Palavra que exprime o mandamento
do amor recíproco. Na verdade, para João evangelista – que refere a frase de
Jesus que hoje consideramos – existe uma ligação entre a Palavra de Cristo e o
mandamento novo.
Segundo ele, é no amor
recíproco que se vive a Palavra com os seus efeitos de purificação, de
santidade, de impecabilidade, de fruto, de proximidade com Deus. O indivíduo
isolado é incapaz de resistir durante muito tempo às solicitações do mundo, ao
passo que, no amor recíproco, encontra um ambiente são, onde pode proteger a
sua existência cristã autêntica.
Chiara Lubich
1) Publicada em Città
Nuova, 1982/8, pp. 42-42; 2) Sl 51, 12; 3) Insegnamenti di Paolo VI,
V, Cidade do Vaticano 1967, p. 936.
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quinta-feira, 1 de março de 2012
Palavra de Vida - março
«A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).
Jesus falava do Reino de Deus às multidões que vinham para O ouvir. Falava com palavras simples, usando parábolas sobre a vida de todos os dias. Mas a sua maneira de falar tinha um fascínio muito especial, encantava. As pessoas ficavam impressionadas porque Ele ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os doutores da Lei. Mais tarde, até os guardas que O foram prender – respondendo aos sumos sacerdotes e aos fariseus que lhes perguntaram porque é que não tinham cumprido as ordens – disseram: «Nunca nenhum homem falou assim!» (2).
O Evangelho de S. João cita alguns diálogos cheios de luz com determinadas pessoas, como Nicodemos ou a samaritana. Jesus, quando fala aos Seus apóstolos, aprofunda ainda mais: fala abertamente do Pai e das coisas do Céu, já sem usar comparações. Eles ficam conquistados, e não O deixam, nem sequer quando não compreendem perfeitamente as Suas palavras, ou quando estas lhes parecem demasiado exigentes.
«Que palavras insuportáveis!» (3), disseram-Lhe alguns discípulos quando O ouviram dizer que lhes daria o Seu corpo a comer e o Seu sangue a beber.
Jesus, ao ver que esses discípulos se afastavam e já não andavam com Ele, dirigiu-se aos Doze Apóstolos: «Também vós quereis ir embora?» (4).
Pedro, já ligado a Ele para sempre, fascinado pelas palavras que Lhe tinha ouvido pronunciar desde o dia em que o encontrara, respondeu, em nome de todos:
«A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!».
Pedro tinha percebido que as palavras do Seu Mestre eram diferentes das palavras dos outros mestres. As palavras terrenas pertencem à Terra e têm o mesmo destino que a Terra. As palavras de Jesus são espírito e vida porque vêm do Céu. São uma luz que desce do Alto e têm a força do Alto. Possuem uma densidade e uma profundidade que as outras palavras não têm, sejam elas de filósofos, políticos ou poetas. São «palavras de vida eterna» (5) porque contêm, exprimem e comunicam a plenitude daquela vida que não tem fim, porque é a vida do próprio Deus.
Jesus ressuscitou e vive. E as Suas palavras, ainda que pronunciadas no passado, não são uma simples recordação. São palavras que Ele dirige hoje a todos nós e às pessoas de todos os tempos e de todas as culturas: palavras universais, eternas.
As palavras de Jesus! Devem ter sido a Sua maior arte, se assim se pode dizer. O Verbo que fala com palavras humanas: que conteúdo, que intensidade, que tom, que voz!
«Certo dia – conta, por exemplo, Basílio, o Grande (6) –, pareceu-me despertar de um sono profundo. Abri-me à maravilhosa luz da verdade evangélica e compreendi a inutilidade da sabedoria dos mestres deste mundo» (7).
Teresa de Lisieux, numa carta de 9 de maio de 1897, escreveu: «Às vezes, quando leio certos tratados espirituais (…) a minha pobre inteligência cansa-se muito depressa, fecho o sábio livro que me quebra a cabeça e me seca o coração, e pego na Sagrada Escritura. Então tudo me parece luminoso, uma só palavra revela à minha alma horizontes infinitos e a perfeição parece-me fácil» (8).
Sim, as palavras divinas saciam o espírito, feito para o infinito. Iluminam interiormente não só a inteligência, mas todo o ser, porque são luz, amor e vida. Dão paz – aquela que Jesus chama Sua: «a minha paz» – mesmo nos momentos de inquietação e de angústia. Dão alegria plena, até no meio do sofrimento que, por vezes, despedaça a alma. Dão força, sobretudo quando nos falta a coragem e sentimos o desânimo. Tornam-nos livres, porque abrem o caminho da Verdade.
«A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!».
A Palavra de Vida deste mês lembra-nos que o único Mestre que queremos seguir é Jesus, até quando as suas palavras nos possam parecer duras ou demasiado exigentes: ser honestos no trabalho, perdoar, pôr-se ao serviço dos outros, em vez de pensar egoisticamente em nós mesmos, permanecer fiel à vida familiar, assistir a um doente em fase terminal sem ceder à ideia da eutanásia…
Há muitos mestres que nos convidam a escolher soluções fáceis, a entrar em “compromissos”. Mas nós queremos ouvir o único Mestre e segui-Lo a Ele, que é o único que diz a verdade e tem «palavras de vida eterna». Assim, também nós podemos repetir as palavras de Pedro.
Neste período da Quaresma, em que nos preparamos para a grande festa da Ressurreição, devemos realmente entrar na escola do único Mestre e tornarmo-nos Seus discípulos. Também em nós deve nascer um amor apaixonado pela Palavra de Deus: ouçamo-la com atenção quando nos for proclamada nas igrejas, quando a lermos, estudarmos, meditarmos...
Mas nós somos chamados, sobretudo, a vivê-la, segundo o ensinamento da própria Escritura: «Tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos» (9). É por isso que, todos os meses, tomamos especialmente uma em consideração, deixando que ela nos penetre, nos molde, que “viva em nós”. Vivendo uma palavra de Jesus vivemos todo o Evangelho, porque Ele dá-Se completamente em cada uma das Suas palavras. É Ele mesmo que vem viver em nós. É como uma gota de sabedoria divina do Ressuscitado, que lentamente vai abrindo espaço dentro de nós e vai substituindo o nosso modo de pensar, de querer, de agir em todas as circunstâncias da vida.
Jesus falava do Reino de Deus às multidões que vinham para O ouvir. Falava com palavras simples, usando parábolas sobre a vida de todos os dias. Mas a sua maneira de falar tinha um fascínio muito especial, encantava. As pessoas ficavam impressionadas porque Ele ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os doutores da Lei. Mais tarde, até os guardas que O foram prender – respondendo aos sumos sacerdotes e aos fariseus que lhes perguntaram porque é que não tinham cumprido as ordens – disseram: «Nunca nenhum homem falou assim!» (2).
O Evangelho de S. João cita alguns diálogos cheios de luz com determinadas pessoas, como Nicodemos ou a samaritana. Jesus, quando fala aos Seus apóstolos, aprofunda ainda mais: fala abertamente do Pai e das coisas do Céu, já sem usar comparações. Eles ficam conquistados, e não O deixam, nem sequer quando não compreendem perfeitamente as Suas palavras, ou quando estas lhes parecem demasiado exigentes.
«Que palavras insuportáveis!» (3), disseram-Lhe alguns discípulos quando O ouviram dizer que lhes daria o Seu corpo a comer e o Seu sangue a beber.
Jesus, ao ver que esses discípulos se afastavam e já não andavam com Ele, dirigiu-se aos Doze Apóstolos: «Também vós quereis ir embora?» (4).
Pedro, já ligado a Ele para sempre, fascinado pelas palavras que Lhe tinha ouvido pronunciar desde o dia em que o encontrara, respondeu, em nome de todos:
«A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!».
Pedro tinha percebido que as palavras do Seu Mestre eram diferentes das palavras dos outros mestres. As palavras terrenas pertencem à Terra e têm o mesmo destino que a Terra. As palavras de Jesus são espírito e vida porque vêm do Céu. São uma luz que desce do Alto e têm a força do Alto. Possuem uma densidade e uma profundidade que as outras palavras não têm, sejam elas de filósofos, políticos ou poetas. São «palavras de vida eterna» (5) porque contêm, exprimem e comunicam a plenitude daquela vida que não tem fim, porque é a vida do próprio Deus.
Jesus ressuscitou e vive. E as Suas palavras, ainda que pronunciadas no passado, não são uma simples recordação. São palavras que Ele dirige hoje a todos nós e às pessoas de todos os tempos e de todas as culturas: palavras universais, eternas.
As palavras de Jesus! Devem ter sido a Sua maior arte, se assim se pode dizer. O Verbo que fala com palavras humanas: que conteúdo, que intensidade, que tom, que voz!
«Certo dia – conta, por exemplo, Basílio, o Grande (6) –, pareceu-me despertar de um sono profundo. Abri-me à maravilhosa luz da verdade evangélica e compreendi a inutilidade da sabedoria dos mestres deste mundo» (7).
Teresa de Lisieux, numa carta de 9 de maio de 1897, escreveu: «Às vezes, quando leio certos tratados espirituais (…) a minha pobre inteligência cansa-se muito depressa, fecho o sábio livro que me quebra a cabeça e me seca o coração, e pego na Sagrada Escritura. Então tudo me parece luminoso, uma só palavra revela à minha alma horizontes infinitos e a perfeição parece-me fácil» (8).
Sim, as palavras divinas saciam o espírito, feito para o infinito. Iluminam interiormente não só a inteligência, mas todo o ser, porque são luz, amor e vida. Dão paz – aquela que Jesus chama Sua: «a minha paz» – mesmo nos momentos de inquietação e de angústia. Dão alegria plena, até no meio do sofrimento que, por vezes, despedaça a alma. Dão força, sobretudo quando nos falta a coragem e sentimos o desânimo. Tornam-nos livres, porque abrem o caminho da Verdade.
«A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!».
A Palavra de Vida deste mês lembra-nos que o único Mestre que queremos seguir é Jesus, até quando as suas palavras nos possam parecer duras ou demasiado exigentes: ser honestos no trabalho, perdoar, pôr-se ao serviço dos outros, em vez de pensar egoisticamente em nós mesmos, permanecer fiel à vida familiar, assistir a um doente em fase terminal sem ceder à ideia da eutanásia…
Há muitos mestres que nos convidam a escolher soluções fáceis, a entrar em “compromissos”. Mas nós queremos ouvir o único Mestre e segui-Lo a Ele, que é o único que diz a verdade e tem «palavras de vida eterna». Assim, também nós podemos repetir as palavras de Pedro.
Neste período da Quaresma, em que nos preparamos para a grande festa da Ressurreição, devemos realmente entrar na escola do único Mestre e tornarmo-nos Seus discípulos. Também em nós deve nascer um amor apaixonado pela Palavra de Deus: ouçamo-la com atenção quando nos for proclamada nas igrejas, quando a lermos, estudarmos, meditarmos...
Mas nós somos chamados, sobretudo, a vivê-la, segundo o ensinamento da própria Escritura: «Tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos» (9). É por isso que, todos os meses, tomamos especialmente uma em consideração, deixando que ela nos penetre, nos molde, que “viva em nós”. Vivendo uma palavra de Jesus vivemos todo o Evangelho, porque Ele dá-Se completamente em cada uma das Suas palavras. É Ele mesmo que vem viver em nós. É como uma gota de sabedoria divina do Ressuscitado, que lentamente vai abrindo espaço dentro de nós e vai substituindo o nosso modo de pensar, de querer, de agir em todas as circunstâncias da vida.
Chiara Lubich
1) Publicada em Cidade Nova, 2003/2 (março/abril), pp. 22-23; 2) Jo 7, 46; 3) Jo 6, 60; 4) Jo 6, 67; 5) Jo 6, 68; 6) S. Basílio (330-379), bispo de Cesareia, Padre da Igreja; 7) Ep. CCXXIII, 2; 8) Santa Teresa do Menino Jesus, “Carta 226”, em Obras Completas, Edições Carmelo, Paço de Arcos, 1996, p. 608; 9) Tg 1, 22.
1) Publicada em Cidade Nova, 2003/2 (março/abril), pp. 22-23; 2) Jo 7, 46; 3) Jo 6, 60; 4) Jo 6, 67; 5) Jo 6, 68; 6) S. Basílio (330-379), bispo de Cesareia, Padre da Igreja; 7) Ep. CCXXIII, 2; 8) Santa Teresa do Menino Jesus, “Carta 226”, em Obras Completas, Edições Carmelo, Paço de Arcos, 1996, p. 608; 9) Tg 1, 22.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Palavra de Vida - fevereiro
«Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
(Mc 1, 15).
No Evangelho de S. Marcos, o anúncio de Jesus ao mundo, a Sua mensagem de salvação, começa assim: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Com a vinda de Jesus, desponta uma era nova: a era da graça e da salvação.
E as Suas primeiras palavras são um convite a aceitar a grande novidade, a própria realidade do Reino de Deus, que Ele põe ao alcance de todos, perto de cada pessoa.
E indica imediatamente o caminho: arrepender-se e acreditar no Evangelho.
Isto é, mudar completamente de vida e aceitar, em Jesus, a palavra que Deus dirige, através do Filho, à humanidade de todos os tempos.
São duas coisas inseparáveis: o arrependimento e a fé. Não existe uma sem a outra. Mas ambas nascem do contacto com a palavra viva, com a presença de Jesus, que ainda hoje repete às multidões:
«Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Quando se aceita e se vive a Palavra de Deus, ela produz uma mudança radical de mentalidade (= conversão). Infunde nos corações de todas as pessoas (europeias, asiáticas, australianas, americanas, africanas) os mesmo sentimentos que Cristo teria perante as circunstâncias, os indivíduos e a sociedade.
Mas como é que o Evangelho pode realizar o milagre de um profundo arrependimento ou conversão, de uma fé nova e luminosa? O segredo está no mistério que as palavras de Jesus encerram. Não são simplesmente exortações, sugestões, indicações, orientações, ordens ou mandamentos. Na palavra de Jesus está presente o próprio Jesus que fala, que nos fala. As suas palavras são Ele mesmo, são o próprio Jesus.
E, assim, nós encontramo-Lo na Palavra. E, recebendo a palavra no nosso coração, como Ele quer que seja recebida (isto é, estando dispostos a vivê-la), somos uma coisa só com Ele, que nasce ou cresce em nós. Eis por que cada um de nós pode e deve aceitar o convite tão insistente e exigente de Jesus.
«Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Talvez haja quem considere as palavras do Evangelho demasiado elevadas e difíceis, demasiado distantes da maneira de viver e de pensar comuns, e tenha a tentação de não lhes prestar atenção, de desanimar. Mas isso acontece quando pensamos que devemos afastar, sozinhos, a montanha da nossa própria incredulidade. Pelo contrário, bastaria que nos esforçássemos por viver uma única palavra do Evangelho para encontrarmos nela um auxílio inesperado, uma força única, um farol para os nossos passos (cf. Sl 118, 105).
Pois a comunhão com aquela Palavra, que é uma presença de Deus, torna-nos livres, purifica, converte, traz conforto, alegria, transmite sabedoria.
«Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Quantas vezes, durante o dia, esta palavra pode ser uma luz para o nosso caminho! Sempre que nos depararmos com a nossa fraqueza ou com a dos outros, sempre que nos parecer impossível ou absurdo seguir Jesus, sempre que as dificuldades tentarem abater-nos, esta palavra pode ser, para nós, o momento decisivo. É como uma lufada de ar fresco, um estímulo
para recomeçarmos.
Bastará uma pequena e rápida “conversão” de rota para sairmos do nosso eu fechado e nos abrirmos a Deus. Iremos experimentar uma nova vida, a verdadeira. Se, além disso, pudermos partilhar essa experiência com alguma pessoa amiga, que também tenha feito do Evangelho o seu código de vida, veremos desabrochar, ou voltar a florescer, a comunidade cristã à nossa volta. Pois a palavra de Deus, vivida e comunicada, faz também este milagre: dá origem a uma comunidade visível, que se torna fermento e sal da sociedade, testemunhando Cristo em cada canto da Terra.
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova, 1997/2, pp. 32-33. Escrita em 1997 (1)
(Mc 1, 15).
No Evangelho de S. Marcos, o anúncio de Jesus ao mundo, a Sua mensagem de salvação, começa assim: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Com a vinda de Jesus, desponta uma era nova: a era da graça e da salvação.
E as Suas primeiras palavras são um convite a aceitar a grande novidade, a própria realidade do Reino de Deus, que Ele põe ao alcance de todos, perto de cada pessoa.
E indica imediatamente o caminho: arrepender-se e acreditar no Evangelho.
Isto é, mudar completamente de vida e aceitar, em Jesus, a palavra que Deus dirige, através do Filho, à humanidade de todos os tempos.
São duas coisas inseparáveis: o arrependimento e a fé. Não existe uma sem a outra. Mas ambas nascem do contacto com a palavra viva, com a presença de Jesus, que ainda hoje repete às multidões:
«Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Quando se aceita e se vive a Palavra de Deus, ela produz uma mudança radical de mentalidade (= conversão). Infunde nos corações de todas as pessoas (europeias, asiáticas, australianas, americanas, africanas) os mesmo sentimentos que Cristo teria perante as circunstâncias, os indivíduos e a sociedade.
Mas como é que o Evangelho pode realizar o milagre de um profundo arrependimento ou conversão, de uma fé nova e luminosa? O segredo está no mistério que as palavras de Jesus encerram. Não são simplesmente exortações, sugestões, indicações, orientações, ordens ou mandamentos. Na palavra de Jesus está presente o próprio Jesus que fala, que nos fala. As suas palavras são Ele mesmo, são o próprio Jesus.
E, assim, nós encontramo-Lo na Palavra. E, recebendo a palavra no nosso coração, como Ele quer que seja recebida (isto é, estando dispostos a vivê-la), somos uma coisa só com Ele, que nasce ou cresce em nós. Eis por que cada um de nós pode e deve aceitar o convite tão insistente e exigente de Jesus.
«Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Talvez haja quem considere as palavras do Evangelho demasiado elevadas e difíceis, demasiado distantes da maneira de viver e de pensar comuns, e tenha a tentação de não lhes prestar atenção, de desanimar. Mas isso acontece quando pensamos que devemos afastar, sozinhos, a montanha da nossa própria incredulidade. Pelo contrário, bastaria que nos esforçássemos por viver uma única palavra do Evangelho para encontrarmos nela um auxílio inesperado, uma força única, um farol para os nossos passos (cf. Sl 118, 105).
Pois a comunhão com aquela Palavra, que é uma presença de Deus, torna-nos livres, purifica, converte, traz conforto, alegria, transmite sabedoria.
«Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».
Quantas vezes, durante o dia, esta palavra pode ser uma luz para o nosso caminho! Sempre que nos depararmos com a nossa fraqueza ou com a dos outros, sempre que nos parecer impossível ou absurdo seguir Jesus, sempre que as dificuldades tentarem abater-nos, esta palavra pode ser, para nós, o momento decisivo. É como uma lufada de ar fresco, um estímulo
para recomeçarmos.
Bastará uma pequena e rápida “conversão” de rota para sairmos do nosso eu fechado e nos abrirmos a Deus. Iremos experimentar uma nova vida, a verdadeira. Se, além disso, pudermos partilhar essa experiência com alguma pessoa amiga, que também tenha feito do Evangelho o seu código de vida, veremos desabrochar, ou voltar a florescer, a comunidade cristã à nossa volta. Pois a palavra de Deus, vivida e comunicada, faz também este milagre: dá origem a uma comunidade visível, que se torna fermento e sal da sociedade, testemunhando Cristo em cada canto da Terra.
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova, 1997/2, pp. 32-33. Escrita em 1997 (1)
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domingo, 1 de janeiro de 2012
Palavra de Vida - janeiro
«Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus» (Cl 3, 1).
Estas palavras, que S. Paulo dirigiu à comunidade de Colossos, dizem-nos que existe um mundo onde reina o verdadeiro amor, a plena comunhão, a justiça, a paz, a santidade, a alegria. Um mundo em que o pecado e a corrupção já não podem entrar. Um mundo em que a vontade do Pai é perfeitamente observada. É o mundo a que pertence Jesus. É o mundo que Ele nos abriu, de par em par, com a sua ressurreição, passando pela dura prova da paixão.
«Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus».
A este mundo de Cristo – diz S. Paulo –, nós, não só somos chamados, mas já pertencemos. A fé diz-nos que, mediante o baptismo, nós somos inseridos n’Ele e, por isso, participamos da sua vida, das suas riquezas, da sua herança, da sua vitória sobre o pecado e sobre as forças do mal: de facto, ressuscitámos com Ele.
Mas, ao contrário das almas santas que já chegaram à meta, a nossa participação nesse mundo de Cristo ainda não é total e límpida. Sobretudo, ainda não é estável e definitiva. Enquanto vivermos nesta Terra estamos expostos a mil e um perigos, dificuldades e tentações, que nos podem fazer vacilar, podem travar a nossa caminhada, ou até desviá-la para falsas metas.
«Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus».
Compreende-se, então, a exortação do Apóstolo: «Procurai as coisas do alto». Procuremos sair, não já materialmente, mas espiritualmente, deste mundo. Abandonemos as regras e as paixões do mundo para nos deixarmos guiar, em cada situação, pelos pensamentos e pelos sentimentos de Jesus. De facto, “as coisas do alto” significam a lei do alto, a lei do Reino dos Céus, que Jesus trouxe à Terra e quer que a sigamos desde já.
«Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus».
Como viver, então, esta Palavra de Vida? Ela incentiva-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, feita de meias medidas e compromissos, mas a adequá-la, com a graça de Deus, à lei de Cristo.
Estimula-nos a viver e a empenhar-nos em testemunhar, no nosso ambiente, os valores que Jesus trouxe à Terra: poderá ser o espírito de concórdia e de paz, de serviço aos irmãos, de compreensão e de perdão, de honestidade, de justiça, de rectidão no nosso trabalho, de fidelidade, de pureza, de respeito pela vida, etc.
O programa, como se vê, é vasto como a vida. Mas, para não ficarmos numa coisa vaga, vivamos este mês aquela lei de Jesus que é, de certo modo, o resumo de todas as outras: vendo em cada irmão Cristo, coloquemo-nos ao seu serviço. Pois não é sobre isto que vamos ser interrogados no fim da nossa existência?
Estas palavras, que S. Paulo dirigiu à comunidade de Colossos, dizem-nos que existe um mundo onde reina o verdadeiro amor, a plena comunhão, a justiça, a paz, a santidade, a alegria. Um mundo em que o pecado e a corrupção já não podem entrar. Um mundo em que a vontade do Pai é perfeitamente observada. É o mundo a que pertence Jesus. É o mundo que Ele nos abriu, de par em par, com a sua ressurreição, passando pela dura prova da paixão.
«Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus».
A este mundo de Cristo – diz S. Paulo –, nós, não só somos chamados, mas já pertencemos. A fé diz-nos que, mediante o baptismo, nós somos inseridos n’Ele e, por isso, participamos da sua vida, das suas riquezas, da sua herança, da sua vitória sobre o pecado e sobre as forças do mal: de facto, ressuscitámos com Ele.
Mas, ao contrário das almas santas que já chegaram à meta, a nossa participação nesse mundo de Cristo ainda não é total e límpida. Sobretudo, ainda não é estável e definitiva. Enquanto vivermos nesta Terra estamos expostos a mil e um perigos, dificuldades e tentações, que nos podem fazer vacilar, podem travar a nossa caminhada, ou até desviá-la para falsas metas.
«Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus».
Compreende-se, então, a exortação do Apóstolo: «Procurai as coisas do alto». Procuremos sair, não já materialmente, mas espiritualmente, deste mundo. Abandonemos as regras e as paixões do mundo para nos deixarmos guiar, em cada situação, pelos pensamentos e pelos sentimentos de Jesus. De facto, “as coisas do alto” significam a lei do alto, a lei do Reino dos Céus, que Jesus trouxe à Terra e quer que a sigamos desde já.
«Portanto, já que fostes ressuscitados com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus».
Como viver, então, esta Palavra de Vida? Ela incentiva-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, feita de meias medidas e compromissos, mas a adequá-la, com a graça de Deus, à lei de Cristo.
Estimula-nos a viver e a empenhar-nos em testemunhar, no nosso ambiente, os valores que Jesus trouxe à Terra: poderá ser o espírito de concórdia e de paz, de serviço aos irmãos, de compreensão e de perdão, de honestidade, de justiça, de rectidão no nosso trabalho, de fidelidade, de pureza, de respeito pela vida, etc.
O programa, como se vê, é vasto como a vida. Mas, para não ficarmos numa coisa vaga, vivamos este mês aquela lei de Jesus que é, de certo modo, o resumo de todas as outras: vendo em cada irmão Cristo, coloquemo-nos ao seu serviço. Pois não é sobre isto que vamos ser interrogados no fim da nossa existência?
Chiara Lubich
1) Publicada em Città Nuova, 1988/6, p. 11.
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
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